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Filme ‘ Gatos ‘ mostra a natureza livre dos felinos em Istambul

Filme ‘ Gatos ‘ mostra a natureza livre dos felinos em Istambul
julho 14
10:46 2017

GATOS (muito bom) 
(Kedi)
DIREÇÃO Ceyda Torun
PRODUÇÃO Turquia, 2016, livre
Veja salas e horários de exibição.

O documentário “Gatos”, de Ceyda Torun, pode incomodar aqueles que criam seus bichanos na segurança de seus apartamentos telados. O longa acompanha o cotidiano de sete felinos que vivem livremente pelas ruas, feiras e região portuária de Istambul, na Turquia. E que, às vezes, dormem na casa de algum humano.

A malandragem e a “natureza selvagem” dos gatos são reveladas no filme conforme eles lutam para sobreviver em uma cidade cada vez mais urbanizada e com menos verde, onde poderiam encontrar pequenas presas. As traquinagens protagonizadas por esses felinos são muito diferentes daquelas que vemos em vídeos no YouTube, em que bichanos fofos e domesticados miam em troca de petiscos.

É na persistência de Sari, gata que corre pelas ruas atrás de alimento para seus filhotes, e na esperteza de Aslan Parçasi, exímio caçador de ratos que vive em um restaurante, que a diretora expõe a faceta mais primitiva dos bichos.

Já o amor dos moradores da cidade pelos gatos fica explícito nos depoimentos do filme. “Dizem que os gatos estão cientes da existência de Deus, enquanto os cães pensam que as pessoas são Deus. Os gatos não, eles só têm mais consciência”, comenta um dos entrevistados de Torun.

A espiritualidade atribuída aos felinos faz sentido em uma população de maioria muçulmana: Maomé amava gatos. Diz a lenda que o profeta tinha até um bichano favorto, chamado Muezza.

Mas com um olhar mais atento é possível notar que os animais não contam apenas com a providência divina em Istambul. Não é debatido do filme, mas alguns bichanos aparecem com a ponta da orelha esquerda cordada, sinal da prática conhecida como C.E.D. (captura, esterilização e devolução dos gatos ao ambiente), uma maneira de controlar a população. Além, claro, dos famosos potes de ração e água deixados pelas ruas da cidade.

Em “Gatos”, não há espaço para bichos tratados como crianças. Humanos e felinos interagem de igual para igual, em relações benéficas para ambos.

SÍLVIA HAIDAR

Originalmente publicado em: http://www1.folha.uol.com.br

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