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Culinária de “Salve Jorge” foi parar em livro

Culinária de “Salve Jorge” foi parar em livro
Março 02
17:58 2016

Professora de culinária turca, Beril Eraydin Athayde reúne as receitas típicas do país. Ela se mudou para cá em 1999, apaixonada por um carioca que ela conheceu durante o mestrado em Londres, sempre presta consultoria quando o assunto é o seu país de origem.

Com o elenco de “Salve Jorge” não foi diferente: lá estava Beril ensinando atrizes como Zezé Polessa, Tania Khalill e Betty Gofman a cozinhar os pratos típicos da região. Do workshop para as globais, surgiu a ideia de reunir as receitas em um livro (“Os Temperos da Cozinha Turca”, da editora Addresses), o primeiro de culinária turca escrito no Brasil:

– Quando surge um assunto ligado à Turquia, as pessoas logo me acham. Até na Copa fizeram matéria comigo e com o meu marido num jogo entre as nossas seleções. Na verdade, isso acontece porque tem muito pouco turco no Brasil. Muita gente acha que é descendente de turco, mas na verdade é de sírio, libanês, egípcio..

A confusão surge também na culinária, já que os pratos árabes e turcos sofreram mútuas influências, principalmente durante o período do Império Otomano. Foi nesta época que a cozinha turca, segundo Beril, começou a ficar importante, com os chefs – que sequer eram chamados como tal – dentro dos palácios se especializando em massas e sobremesas para servir a imperadores, mulheres do harém e pessoas que estavam trabalhando.

– Há muitas similaridades até mesmo com a comida grega, país que também fez parte do Império Otomano – conta Beril, que uma vez por ano vai à Turquia visitar sua família e comprar produtos para as suas lojas Origens Objetos do Mundo, de produtos artesanais.

Entre os ingredientes mais comuns nos pratos turcos são arroz, azeite, folha de uva, berinjela, iogurte, peixe e carne de vitela ou de ovelha. O Kebab, esclarece Beril, é sim um prato típico, mas com variações regionais.

– É uma das culinárias mais ricas do mundo – define ela.

Há, claro, ingredientes difíceis de se encontrar por aqui. Mas, Beril teve o cuidado de dedicar um capítulo de correspondência com os produtos disponíveis em nossas feiras e mercados. Segundo ela, as especiarias estão entre os itens mais difíceis de se achar. No livro, no entanto, só entraram as receitas possíveis de fazer com o que temos no Brasil. Mas, ainda assim, alerta Beril, é preciso ter cuidado com os produtos que podem confundir:

– O pimentão verde daqui é gigante. O de lá é menor. Se você for fazer uma receita com um pimentão grande pode não dar certo. Nesses casos, indico procurar um tamanho menor.

O livro traz mais de 50 receitas que foram transmitidas a Beril por sua avó e por sua mãe. Sempre que ela sentia falta da comida da família, ligava para as duas perguntando como fazer isso ou aquilo. E assim foi aprendendo. A cobrança dos amigos também foi um estímulo para ela começar a encarar o fogão tentando reproduzir o ravióli turco e o folheado de batata e carne moída, dois de seus pratos preferidos.

– Quero passar essa tradição para as minhas duas filhas. O livro é um legado que deixo para elas, que poderão fazer as comidas para as suas amigas, já que todos os pratos foram aprovados por brasileiros. Isso é importante porque tem comidas que só são apreciadas por pessoas que estão inseridas naquela cultura – diz ela, que adora a culinária brasileira, mas admite que ainda não conseguiu gostar de feijoada.

Mais:Aprenda a fazer o prato turco“Barriga Partida”

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