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Acadêmicos demitidos querem seus passaportes de volta

Acadêmicos demitidos querem seus passaportes de volta
agosto 08
13:19 2018

Acadêmicos turcos que foram demitidos de seus empregos por decretos do governo durante um estado de emergência de dois anos iniciaram uma campanha nas mídias sociais para trazer a questão das restrições ainda impostas em seus passaportes.

O deputado do Partido Democrático Popular (HDP) e ativista dos direitos humanos Omer Faruk Gergerlioglu realizou uma coletiva de imprensa no parlamento na segunda-feira enfatizando os problemas sérios que vêm das restrições de passaporte.

Gergerlioglu disse que algumas famílias foram divididas devido às restrições, pois alguns acadêmicos não puderam ir ao estrangeiro para viverem com suas famílias, trabalhando ou ficando fora do país. Alguns acadêmicos demitidos também não puderam fazer uso das bolsas concedidas por universidades ou instituições estrangeiras.

Na semana passada, acadêmicos turcos lançaram uma campanha nas mídias sociais no Twitter com a hashtag “Freedom to Passports” [Liberdade para os Passaportes], enfatizando que mesmo depois que o estado de emergência foi suspenso, eles ainda não podem participar de conferências ou participarem em projetos de pesquisa fora do país.

A Turquia declarou um estado de emergência logo após uma tentativa fracassada de golpe em 15 de julho de 2016, e o revogou depois de dois anos.

Durante o estado de emergência, cerca de 5.700 acadêmicos foram demitidos por decretos do governo sob “acusações de terrorismo,” enquanto que alguns deles estiveram na cadeia. O governo turco também cancelou os passaportes de acadêmicos demitidos.

Em 25 de julho, o Ministério do Interior anunciou que as restrições sobre 155.350 passaportes pertencentes principalmente a pessoas afiliadas ao Movimento Gulen ou seus parentes próximos haviam sido suspensas.

O governo acusa o Movimento Gulen de orquestrar a tentativa de golpe, apesar de que o movimento nega fortemente qualquer envolvimento.

Mas alguns dos acadêmicos demitidos também foram culpados por assinarem uma petição em janeiro de 2016, exortando o governo a parar com as operações militares, no sudeste do país, que deixaram centenas de pessoas mortas e partes destruídas das cidades predominantemente curdas.

De acordo com Cenk Yigiter, um professor de direito demitido, o governo turco não pode infringir o direito de viajar dos cidadãos sem uma decisão do tribunal, especialmente depois que o estado de emergência foi suspenso, informou a BBC turca.

“Se continuar assim, as pessoas vão tentar jeitos legais de fugirem da Turquia. Vocês sabem, algumas pessoas morreram no Rio Evros e no Mar Egeu [tentando escapar da perseguição]. Tenho preocupações de que um de nossos amigos vai compartilhar do mesmo destino,” disse Yigiter.

Fonte: https://www.turkishminute.com/2018/08/07/dismissed-academics-want-their-passports-back-after-state-of-emergency-lifted/

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