Últimas notícias

Morre advogada há 238 dias em greve de fome para exigir julgamento justo

Morre advogada há 238 dias em greve de fome para exigir julgamento justo
agosto 28
17:21 2020

A morte de uma advogada em greve de fome num hospital de Istambul está a provocar uma onda de indignação entre políticos, ativistas, artistas e jornalistas turcos.

Ebru Timtik, presa desde Setembro de 2018 e condenada em Março do ano passado a mais de 13 anos de prisão por pertencer a uma “organização terrorista”, teria em breve o seu caso revisto pelo Supremo Tribunal da Turquia. Morreu um dia depois de várias organizações avisarem que a sua vida estava “por horas, não dias”.

A advogada curda estava desde Janeiro sem ingerir alimentos, o protesto possível junto das autoridades para “reforçar a exigência de um julgamento justo”, num país onde se acumulam queixas de violações dos direitos humanos. Em Fevereiro, juntou-se à greve de fome Aytaç Ünsal, seu colega na Sociedade Progressista de Advogados (ÇHD)

No final de Julho, um relatório forense concluíra que “não estavam em condições de permanecer na prisão” – em vez de serem libertados, foram enviados para dois hospitais onde a saúde de ambos se tinha vindo a deteriorar. Çigdem Akbulut, secretária da ÇHD em Istambul, disse a semana passada à BBC Turca que as condições nos hospitais eram piores do que na prisão: “As suas necessidades, água, limão, vitaminas, chá – é isto que eles consomem – são supridas tarde ou não são de todo”, descreveu.

Numa declaração divulgada a 11 de Agosto pela Associação Internacional de Advogados, os dois diziam tencionar “persistir na greve de fome mesmo se isso levar à morte”. Nesse comunicado, os presidentes de 33 ordens de advogados repetiam a exigência de libertação dos dois, sustentando que “não são só as vidas de Ebru e Aytaç que estão em risco, mas o seu direito a uma defesa”.

Semanas antes fora Selahattin Demirtas, ex-co-presidente do HDP (Partido Democrático do Povo, pró-curdo), a apelar a uma solução: “Independentemente de considerações políticas, por favor não deixem a humanidade morrer, por favor resolvam o assunto, ‘deixem-nos viver”.

“O Tribunal Constitucional rejeitou a libertação dela porque ‘não havia risco de morte’”, recordou Gürsel Tekin, deputado do Partido Republicano do Povo (CHP), na oposição, horas depois de confirmada a morte de Timtik, na quinta-feira. “Um sistema de justiça politizado significa uma justiça transformada em carrasco”, diz Tekin, responsabilizando o AKP (Partido da Justiça e do Desenvolvimento), do Presidente Recep Tayyip Erdogan, por esta morte. “A história e a nação irão julgar o regime do AKP pelos crimes que cometeu contra a justiça.”

Humanidade e consciência

“A morte de Ebru é, aos olhos de todos, a morte da humanidade, da justiça e da consciência neste país”, reagiu Zülfü Livaneli, músico, escritor e político. O jornalista e sindicalista Ahmet Sik tem a certeza de que “este mal terá um fim, mas por causa do silêncio de hoje quando esse dia chegar os turcos não vão conseguir olhar-se nos olhos”.

O processo de Timtik e de Ünsal envolveu 18 advogados condenados por crimes “relacionados com terrorismo” a um total de 159 anos de prisão. Timtik foi condenada a partir de um testemunho anônimo que veio a pedir que as suas declarações não fossem consideradas “por causa do seu estado mental”, escreve a agência de notícias independente de Istambul Bianet.

“Lutamos por justiça. E se formos libertados vamos poder continuar o nosso trabalho em nome da justiça”, escreveu Timtik numa carta enviada a 18 de Julho através da sua tia. “Não podemos fazer nada a não ser a greve de fome. Temos as mãos atadas. É isso que custa mais.”

Fonte: https://www.publico.pt/2020/08/28/mundo/noticia/turquia-morre-advogada-ha-238-dias-greve-fome-exigir-julgamento-justo-1929569

Artigos relacionados

0 Comentários

Nenhum comentário ainda!

Não há comentários no momento, gostaria de adicionar um?

Escreva um comentário

Escreva um comentário

Deixe uma resposta

Mailer