Últimas notícias
  • Conselho da Europa deve disciplinar a Turquia sobre ativista preso O Conselho da Europa disse na sexta-feira que vai lançar uma ação disciplinar contra a Turquia por se recusar a libertar o proeminente ativista e filantropo Osman Kavala, desencadeando um procedimento usado apenas uma vez na história da organização....
  • Por que a queda da moeda turca não preocupa Erdogan A moeda nacional da Turquia caiu 45% em relação ao dólar este ano e, no entanto, o Presidente Recep Tayyip Erdogan não parece ter se incomodado com isso....
  • CoE insta “fortemente” as autoridades turcas a liberar Demirtaş O Comitê de Ministros do Conselho da Europa adotou na quinta-feira uma resolução provisória "instando fortemente" as autoridades turcas a assegurar a libertação imediata do líder curdo preso Selahattin Demirtaş....
  • A crise monetária da Turquia Após a demissão do ministro das finanças e sua substituição por um lealista em 2 de dezembro, a lira turca continuou seu declínio constante em relação ao dólar, elevando suas perdas do ano para quase 50%. A moeda turca está novamente sob ataque especulativo, semelhante aos episódios anteriores em julho de 2018 e outubro de 2020. Os cortes antecipados do Banco Central da República da Turquia (CBRT) na taxa de câmbio desde setembro resultaram em um êxodo de capital estrangeiro e em uma corrida na demanda por divisas entre os investidores domésticos. Enquanto isso, os preços globais de commodities e energia permanecem altos (apesar da recente queda nos preços do petróleo), e as expectativas em relação à inflação se deterioraram significativamente, levando a taxa de câmbio TL a cair de 8,30 para 13,60 para o dólar em menos de três meses....
  • Turquia aumentará sua presença na INTERPOL, diz membro recém-eleito do Comitê Executivo A Turquia aumentará sua presença na INTERPOL aumentando seu número de oficiais de ligação na Secretaria Geral e nomeando mais candidatos para cargos superiores dentro da organização, disse na quinta-feira Selçuk Sevgel, membro recém-eleito do Comitê Executivo da INTERPOL, em entrevista à agência estatal de notícias Anadolu, informou o Stockholm Center for Freedom....
  • Papa pede por cura em um Chipre dividido, arcebispo ortodoxo ataca a Turquia Papa encontra os líderes cristãos ortodoxos de Chipre. Pede por cura na ilha dividida. Líder cipriota turco convida papa a visitar o norte. Muitos dos participantes da missa são filipinos que trabalham no Chipre...
  • Ministro das finanças da Turquia, Lutfi Elvan, demite-se em meio à crise monetária O Ministro das Finanças e do Tesouro da Turquia, Lutfi Elvan, renunciou em meio a uma forte queda da lira turca, de acordo com um decreto presidencial emitido no jornal oficial turco na quinta-feira....
  • Documentário sobre femicídios na Turquia é a indicação ao Oscar do Reino Unido Um documentário relatando os esforços dos ativistas que trabalham para acabar com a violência contra as mulheres na Turquia foi escolhido como a entrada oficial do Reino Unido para a categoria de Melhor Longa Metragem Internacional no Oscar....
  • Homem sequestrado pela inteligência turca forçado a testemunhar contra deputados da oposição Segundo Gergerlioğlu, Yasin Ugan foi forçado a testemunhar sob tortura que os dois deputados eram filiados ao movimento Hizmet, um grupo baseado na fé inspirado nos ensinamentos do clérigo turco Fethullah Gülen, que tem sido alvo do presidente turco Recep Tayyip Erdoğan desde as investigações de corrupção de 17-25 de dezembro de 2013, que implicaram o então primeiro-ministro Erdoğan, seus familiares e seu círculo interno....
  • 8 morrem em fortes tempestades que assolaram o oeste da Turquia As províncias do oeste da Turquia, incluindo a cidade mais populosa do país, Istambul, foram duramente atingidas por condições climáticas adversas, com oito pessoas morrendo como resultado de acidentes relacionados ao clima em três províncias, noticiou a mídia turca na terça-feira....

O Ramadã, a economia e o bem-estar das pessoas

O Ramadã, a economia e o bem-estar das pessoas
junho 09
15:20 2016

O Ramadã de 2016 começa hoje, segunda-feira dia 6 de junho. Nos próximos 30 dias, muçulmanos de todo o mundo praticarão o jejum ritual, desde a hora que o sol nasce até o momento em que o Sol se põe.

Para os muçulmanos de Jacarta, na Indonésia, isso significa que eles só poderão comer e beber qualquer coisa entre as 17:45 de um dia e as 6:00 da manhã do dia seguinte.

Parece difícil, mas para os muçulmanos de Istambul, na Turquia, a tarefa é mais complicada: comida e bebida só entre as 20:30 de um dia e as 5:30 do dia seguinte.

Será que o ele tem implicações para a economia desses países?

Os dias do Ramadã variam conforme o ano (por exemplo, no ano que vem, ele começará dia 27 de maio). Em alguns lugares, essas variações modificam bastante o período do jejum. Por exemplo, quando ele cai no final de dezembro, no inverno de Istambul, jejum só entre as 7:30 e as 16:45. Em Jacarta, as variações são bem menos relevantes.

Filipe Campante e David Yanagizawa-Drott, pesquisadores da Harvard Kennedy School, utilizaram essas variações para testar o efeito do Ramadã na economia.

A ideia é a seguinte: é possível comparar, de maneira informal, o que acontece com as economias da Turquia e da Indonésia quando o ele cai em dezembro (o período de jejum é bem mais curto na Turquia) e quando cai em junho (o período de jejum é bem mais longo na Turquia). Será que a economia da Turquia vai relativamente melhor quando o Ramadã é mais curto?

Métodos estatísticos apropriados permitem estimar esse efeito de maneira formal, utilizando uma base de dados com todos os países de maioria muçulmana e todos os anos desde 1950.

Campante e Yanagizawa-Drot encontram de fato um efeito negativo substancial de um Ramadã mais longo sobre a economia.

Um Ramadã longo (como o da Turquia em 2016) reduz o crescimento do PIB do país no ano em pouco mais de 1 ponto percentual quando comparado a um Ramadã mais normal.

É efeito do Ramadã mesmo? Não pode ser alguma outra coisa que acontece, por acaso, mais ou menos na mesma época do Ramadã? Se fosse esse o caso, esse efeito deveria estar presente em países não muçulmanos, mas os pesquisadores não acham efeito algum para essa amostra de países.

A estimação utiliza as diferenças no período de jejum do Ramadã, mas o resultado sugere uma conclusão mais geral: ele é uma prática religiosa com um custo econômico.

Só que o trabalho não para aí.

Campante e Yanagizawa-Drott estimaram também o efeito de um Ramadã mais longo sobre as respostas das pessoas em questionários sobre felicidade e bem-estar, do mesmo modo que estimaram o efeito sobre o PIB.

Em média, nas respostas a esses questionários, as pessoas se dizem mais felizes quando o Ramadã é mais longo que o normal.

Os resultados sugerem, portanto, que o Ramadã é um ritual com custos econômicos que traz uma sensação de bem-estar para os fiéis. Eu acho que essa conclusão concorda com uma visão comum sobre a religião.

Dados de questionários não são dados ideais, mas nesse caso não temos dado melhor para tentar medir variações na sensação de bem estar de uma pessoa. Se as pessoas se dizem mais felizes, quem sou eu para duvidar? Então, para quem for participar, bom Ramadã.

Referência:

– O artigo citado é “Does Religion Affect Economic Growth and Happiness? Evidence from Ramadan”, de Filipe Campante e David Yanagizawa-Drott, no Quarterly Journal of Economics 130, 615-658 (2015).

– Uma outra visão econômica da religião é que os rituais religiosos são custosos, mas fazem parte de um todo que traz benefícios para a comunidade.

Por Bernardo Guimarães

Fonte: aeconomianoseculo21.blogfolha.uol.com.br

Artigos relacionados

0 Comentários

Nenhum comentário ainda!

Não há comentários no momento, gostaria de adicionar um?

Escreva um comentário

Escreva um comentário

Deixe uma resposta

Mailer