Últimas notícias
  • Embaixada da Turquia nas Filipinas espionou 29 críticos de Erdoğan A Embaixada da Turquia nas Filipinas espionou os cidadãos turcos no país e encaminhou a lista de perfis ilegais para Ancara, o que levou ao lançamento de procedimentos judiciais infundados contra eles, informou o Nordic Monitor, citando documentos legais. ...
  • Lira turca atinge recorde de baixa enquanto Erdogan despede banqueiros centrais A lira turca afundou a uma baixa recorde em relação ao dólar americano na quinta-feira depois que o presidente Recep Tayyip Erdoğan demitiu três membros do banco central em um decreto no meio da noite, informou a Agence France-Presse. ...
  • Condições de trabalho degradantes expulsam médicos da Turquia Milhares de médicos estão deixando a Turquia como resultado dos baixos salários aliados à violência que enfrentam de pacientes zangados e seus familiares, uma situação só agravada pela pandemia do coronavírus e pela crise econômica resultante. ...
  • SADAT, “Exército paralelo” de Erdoğan, pode assassinar dissidentes O notório chefe da máfia turca, Sedat Peker, alegou em uma série de tweets que a SADAT, um grupo paramilitar ligado ao Presidente Recep Tayyip Erdoğan, poderia possivelmente realizar assassinatos de dissidentes que vivem na Turquia e no exterior num futuro próximo, noticiou a mídia local. ...
  • Deputado pede a libertação de paciente com câncer terminal Um deputado do Partido Democrata Popular (HDP), pró-curdo, pediu a libertação imediata de Ayşe Özdoğan, uma mulher criticamente doente que sofre de uma forma rara de câncer e foi enviada para a prisão para cumprir uma sentença de condenação por vínculos com o movimento Hizmet no início deste mês, informou a mídia local. ...
  • Outro Dia, Outro Expurgo no Banco Central da Turquia As cabeças estão rolando no banco central da Turquia, desta vez por não baixar as taxas de juros agressivamente o suficiente. Cortes mais profundos provavelmente virão, talvez logo na próxima semana. Este é um jogo perigoso quando a maior parte do mundo está se movendo na direção oposta. É improvável que uma moeda já maltratada se saia bem, e qualquer fragmento de credibilidade que a política monetária tenha deixado neste icônico mercado emergente será corroído. ...
  • O advogado do Twitter na Turquia tuita discurso de ódio contra o movimento Hizmet O advogado Gönenç Gürkaynak, que representa o Twitter na Turquia, usou de discurso de ódio contra apoiadores do movimento Hizmet numa série de tweets no sábado, perguntando se consideravam exterminar-se a si próprios, informou na segunda-feira o Stockholm Center for Freedom. ...
  • O Alto Custo de uma Turquia Imprevisível Faltando vinte meses para as eleições legislativas e presidenciais na Turquia, o debate político será feroz. O Ocidente poderá optar por não ver a sua relação com Ancara deteriorar-se ainda mais.  ...
  • Lançada investigação sobre assassinatos políticos antes das eleições de 2023 Um promotor turco iniciou uma investigação sobre as reivindicações, recentemente manifestadas por altas figuras da oposição, de que os assassinatos políticos podem ocorrer na Turquia à medida que as eleições de 2023 se aproximam, informou a mídia local na quarta-feira. ...
  • AKP e MHP rejeitam moção para investigar os atentados de 2015 em Ancara  Partido da Justiça e Desenvolvimento da Turquia (AKP) e seu aliado, o Partido do Movimento Nacionalista (MHP), rejeitaram uma moção parlamentar para investigar o ataque terrorista mais mortal da história da Turquia, que custou a vida de mais de 100 pessoas em Ancara em 2015, noticiaram os meios de comunicação turcos. ...

Autoritarismo na Turquia

Autoritarismo na Turquia
junho 09
11:44 2017

O governo turco vem promovendo, desde julho de 2016, uma ampla “caça às bruxas no país”. Aprisionamentos em massa e perseguições políticas à direita e à esquerda erodiram completamente a democracia turca que, afinal, foi substituída por um regime autoritário, que caminha a passos largos para a implementação de um regime puramente ditatorial.

Recep Tayyip Erdogan é o polêmico presidente do país que neutralizou e marginalizou praticamente toda a oposição política existente contra o seu governo. Na esteira de uma suposta – e suspeita – tentativa de golpe militar, Erdogan praticamente aplicou o seu próprio golpe político, concentrando e acumulando poder em suas mãos.

O resultado foi a transformação da Turquia num país dominado pelo autoritarismo do Estado, sob a batuta de Erdogan, que não respeita os direitos políticos e sociais dos seus cidadãos. A Turquia vive, pode-se dizer, um verdadeiro Estado de Exceção.

Mais de 50.000 pessoas foram presas desde julho de 2016, muitas delas sem acusação formal e sem direito a defesa. Professores, juízes, promotores, bancários, empresários, militares, policiais, jornalistas, religiosos, ninguém na Turquia está a salvo das medidas autoritárias do governo Erdogan.

Com a escalada autoritária no país, mais de 4000 juízes e promotores foram demitidos, assim como mais de 44.000 professores (ensino fundamental e médio), mais de 8.000 professores universitários, mais de 200 jornalistas, dentre outros inúmeros profissionais. Milhares de servidores públicos também foram demitidos.

Esses números nos dão uma ideia da escalada autoritária na Turquia. Internamente as perseguições continuam, inclusive com muitas prisões ocorrendo esporadicamente. Muitos turcos, milhares, tiveram que sair do país para evitar perseguições e prisões.

Embora exista uma notória insatisfação externa com os rumos políticos do país desde 2016, as democracias ocidentais não vêm criticando consistentemente as repetidas violações dos direitos humanos e da supressão da democracia no país. Pelo menos não a ponto de ameaçar o regime com sanções internacionais ou outro tipo de punição. Assim, há uma certa conivência internacional com o governo autoritário de Erdogan.

Em parte, isso é reflexo da posição estratégica da Turquia, tanto em termos globais como regionais. Vale lembrar que o país é membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e conta com bases militares norte-americanas em seu território. É também um ativo ator regional que se envolve diretamente na política de países para lá de instáveis, sobretudo com a Síria.

Portanto, a importância estratégica da Turquia acaba favorecendo uma certa aquiescência dos principais atores globais com o cada vez mais ilegítimo governo Erdogan. Nesse sentido, apesar das graves violações aos direitos humanos e da supressão de direitos civis, a pressão internacional sobre o governo é mínima.

Infelizmente para o povo da Turquia os movimentos do governo Erdogan apontam para uma escalada autoritária, com tudo de negativo que vem embutido nisso. Ou seja, mais repressão, mais violência, mais prisões.

De toda forma, regimes autoritários e ditaduras não costumam ter um final feliz.

Pio Penna Filho é professor do Instituto de Relações Internacional da Universidade de Brasília (UnB)e pesquisador do CNPq. E-mail: [email protected]

Originalmente publicado em: http://www.gazetadigital.com.br

Artigos relacionados

0 Comentários

Nenhum comentário ainda!

Não há comentários no momento, gostaria de adicionar um?

Escreva um comentário

Escreva um comentário

Deixe uma resposta

Mailer