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REVELADO: O plano da Turquia para “camuflar” suas atividades de lobby nos EUA

REVELADO: O plano da Turquia para “camuflar” suas atividades de lobby nos EUA
março 17
16:26 2017

O governo da Turquia planejou usar grupos de fachada e agentes “camuflados” como jornalistas para ganhar acesso ao Capitol Hill e o aparato de segurança americano, revelam os e-mails hackeados que foram publicados pelo WikiLeaks.

Os documentos, que são da conta no Gmail de Berat Albayrak, o ministro das energias da Turquia e genro do presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, mostram o plano nascente para o que se transformou em um lobby extenso e campanha de relações públicas realizados pelo governo turco.

As tentativas de lobby da Turquia se catapultaram nas notícias na semana passada depois que Michael Flynn, o conselheiro de segurança nacional de Donald Trump que ficou pouco tempo no cargo, registrou-se como um lobista estrangeiro para a Turquia.

Flynn recebeu 530.000 dólares por três meses de trabalho pelo Inovo BV, uma empresa de fachada pertencente a um empresário com profundas conexões com Ancara.

Os planos dispostos nos e-mails de Albayrak, publicados pelo WikiLeaks em dezembro, mostram um esquema que está na fronteira da ilegalidade, diz um analista da política turca.

“Isso é uma tentativa de infiltrar o Capitol Hill e o estabelecimento de segurança americano através de organizações de fachada e lobistas sob o disfarce de jornalismo”, o analista contou ao The Daily Caller.

O analista pediu anonimidade por causa da repressão do governo turco sobre cidadãos e jornalistas turcos que fazem relatos e reportagens sobre os e-mails hackeados. Pelo menos sete jornalistas foram presos par fazerem isso desde que os documentos foram publicados em setembro.

Os e-mails, que foram primeiramente publicados por um grupo de hackers chamado RedHack em outubro de 2016, são de 2011 e 2012, quando Albayrak era o CEO da Calik Holding. Ele está casado com a filha de Erdogan desde 2004 e tem trabalhado no círculo íntimo do político islamista por anos.

Nos documentos, Halil Danismaz, o recente presidente da Organização da Herança Turca, uma organização sem fins lucrativos baseada em Nova Iorque que apoia fortemente Erdogan, propôs a Albayrak um plano para contornar leis de lobby ao contratar jornalistas que poderiam obter acesso aos “círculos políticos e burocráticos americanos”, incluindo membros do Congresso.

Em uma apresentação de PowerPoint, Danismaz se refere a usar uma “empresa de fachada camuflada” para criar um conduíte para uma “transferência de fundos livre de problemas” para operar o que parece ser um campanha de lobby encoberta.

“Com esse tipo de estrutura, regulações de financiamento e barreras tributárias que limitam as atividades de lobby nos EUA serão superadas”, está escrito um dos slides na apresentação, que foi traduzida para o TheDC por três diferentes falantes de turco.

Esse arranjo permitiria ao governo turco obter informações em “primeira mão” sobre a “estrutura de pensamento americana”.

Na apresentação, Danismaz estimou que o custo da campanha ficaria entre 1.5 milhões e 2.5 milhões de dólares a cada ano.

Um dos PowerPoints no e-mail de Danismaz para Albayrak propõe criar um “novo veículo de mídia” que envolveria “contratar/pagar e usar jornalistas proeminentes como freelancers para ter acesso à administração no governo americano”.

O esquema permitiria ao governo turco “contornar impostos e outros impedimentos nas leis”, escreveu Danismaz, que na época trabalhava para a Turkish Airlines, uma empresa que possui laços estreitos com o governo.

Ao mesmo tempo em que o governo turco questiona a legitimidade dos e-mails, o WikiLeaks fornece o que é chamado de uma verificação DKIM para e-mails enviados pelo Gmail, mostrando que eles não foram alterados ou editados.

Os e-mails de Danismaz para Albayrak são verificados dessa maneira.

“Esse PowerPoint é a prova concreta do plano de lobby do governo turco”, o analista citado acima contou ao TheDC em uma de duas entrevistas por telefone.

“Ele é o mapa mental do que acabou se materializando na tentativa de lobby”.

Abdullah Bozkurt, o ex chefe de escritório do Today’s Zaman, que era uma jornal proeminente em inglês de Ancara, diz que os PowerPoints expõem como os agentes do governo turco planejaram “disfarçar” fluxos de dinheiro para atividades de lobby.

“Erdogan planeja montar um veículo de mídia nos EUA para canalizar sua influência e comprar pessoas em posições importantes”, diz Bozkurt, que fugiu da Turquia no ano passado no meio da repressão de Erdogan sobre veículos de mídia críticos.

“Seus associados provavelmente pensaram que desembolsar uma quantidade extravagante de dinheiro sob o disfarce de pagamentos de royalty por artigos no jornal ajudará eles a recrutar e alistar aliados em vários círculos desde o Congresso até a imprensa americana”.

Como a proposta de Danismaz acabou sendo posta em ação não se sabe. Mas vários anos depois que ele trocou os e-mails com Albayrak, ele foi nomeado chefe da Organização da Herança Turca.

O grupo, fundado em dezembro de 2014, organizou eventos para Erdogan, Albayrak e outras autoridades do governo turco. Ele contratou empresas para fazer lobby em seu nome, mas não se registrou como um lobista ou agente estrangeiro por conta própria, apesar de aparentemente receber uma contribuição pesada de Albayrak.

Michael Rubin, um estudioso do American Enterprise Institute (Instituto Empresarial Americano), argumentou que a Organização da Herança Turca deva ser considerada um agente estrangeiro da Turquia por causa de algumas das atividades expostas nos e-mails.

“Organização baseada nos EUA funcionou como uma fachada para o governo turco sem um registro [segunda a Lei de Registro de Agente Estrangeiro]”, escreveu Rubin em novembro.

Danismaz deixou a Organização da Herança Turca sob circunstâncias não explicadas depois que os e-mails de Albayrak foram publicados.

Um dos e-mails hackeados da conta de Albayrak mostra que pode ter estado por detrás de sua partida.

Em uma e-mail de 8 de setembro de 2016, Ibrahim Uyar, o presidente do Comitê de Direção Turco Americano, contou a Albayrak que ele e vários outros membros daquele grupo haviam sido entrevistados pelo FBI sobre o trabalho deles para o governo turco.

“Eles estão me acusando de tentar intervir na política americana em nome de nosso presidente e trabalhar como um agente secreto em nome da República da Turquia”, escreveu ele, de acordo com uma tradução do turco.

Danismaz, um membro do conselho do Comitê de Direção Turco Americano, foi identificado no e-mail como também tendo sido entrevistado.

Nem Danismaz nem Uyar respondeu aos pedidos para comentar. O WikiLeaks verificou a autenticidade do e-mail usando DKIM.

O foco do lobby do governo turco mudou nos anos que decorreram desde os e-mails de Danismaz para Albayrak.

No passado, questões de defesa e oposição a projetos de lei que pediam o reconhecimento do genocídio otomano contra os armênios há um século ocuparam a maioria da atenção dos lobistas. Agora, Ancara está gastando pesado para convencer o governo americano a extraditar Fethullah Gulen, um clérigo muçulmano que vive na Pensilvânia.

Erdogan culpa Gulen pela tentativa fracassada de golpe que atingiu Ancara e Istambul em Julho.

Um escritório de advocacia chamado Amsterdam & Partners dirige a maioria dos esforços da Turquia contra Gulen nos EUA. A empresa de consultoria de Flynn, Flynn Intel Group, também foi contratada para trabalhar na questão. Seu contrato pediu a condução de uma pesquisa sobre Gulen, com a intenção de fazer “referências criminais” na questão. A Flynn Intel se reuniu duas vezes com o Comitê de Segurança Doméstica para apresentar quaisquer informações que tivesse, e o próprio Flynn se reuniu com Albayrak e o ministro das relações exteriores da Turquia em setembro.

A Amsterdam & Partners fez um subcontrato com várias outras empresas de lobby e relações públicas de Anel Viário ao longo dos últimos anos. A Mercury Public Affairs, a APCO Worldwide e a Ogilvy todas ajudaram a disseminar mentiras sujas sobre Gulen para vários veículos de mídia americanos. A Amsterdam & Partners recentemente assinou um contrato com uma empresa chamada Advanced Advocacy par afazer um trabalho similar.

A Flynn Intel fez um subcontrato com a SGR LLC., outra empresa de relações públicas do Anel Viário, para criar um documentário sobre Gulen e disseminar editoriais e outros materiais sobre o clérigo. Flynn detalhou a maioria desse relacionamento ao Departamento de Justiça na semana passada quando se registrava como um agente estrangeiro.

Chuck Ross

Fonte: www.dailycaller.com

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