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Coisas para se saber sobre o assassinato do embaixador russo

Coisas para se saber sobre o assassinato do embaixador russo
dezembro 21
09:21 2016

Ontem um policial turco identificado como Mevlut Mert Altintas assassinou Andrey Karlov, o embaixador russo na Turquia, durante seu discurso em uma galeria de arte em Ancara.

Escutou-se o assassino primeiramente recitando em árabe depois dos disparos:

“Nós somos os que fizemos um juramento de lealdade a Muhammad de que continuaremos a Jihad”.

E então ele continua dizendo: “Não se esqueçam de Alepo. Não se esqueçam da Síria”.

É importante ver que o incidente veio logo após a derrota dos grupos jihadistas na Síria.

Em uma reunião com diretores públicos locais, o Presidente Erdogan, na semana passada, disse que o Presidente Putin lhe pediu que fizesse com que a Al-Nusra deixasse Alepo. “Eu dei a ordem para que isso fosse feito. O meu time está trabalhando nisso”, acrescentou ele.

Essas observações feitas por Erdogan carregam uma mensagem significativa. Isso significa que Erdogan tem a capacidade de convencer a Al-Nusra.

Em uma entrevista com a CNN Turk ontem, Abdulkadir Selvi, um colunista do Hurriyet, declarou que o lema em árabe do assassino também é conhecido como a primeira parte do hino da Al-Nusra.

Muitos acreditam que isso seja uma indicação importante de como a infiltração de radicais encontrou um espaço nas forças policiais turcas depois que milhares de policiais foram expurgados por suas supostas ligações com o movimento Gulen.

“Quase 20.000 policiais experientes foram expurgados e mais de 8.000 foram presos depois do golpe montado em 15 de julho de 2016. Os expurgos e prisões diminuíram as capacidades e esforços em contraterrorismo e segurança da Turquia para o seu nível mais baixo na história. Os agentes de contraterrorismo e inteligência recentemente designados são inexperientes e sem treinamento. E também, as prioridades de operações foram mudadas! Não havia uma única operação de contraterrorismo planejada sequer contra o Estado Islâmico e a Al-Qaeda por toda a Turquia nos últimos dois anos. Nem uma única operação sequer”. Escreveu o Dr. Ahmet Yayla em seus tweets ontem, um ex policial turco e vice-diretor do Centro Internacional para o Estudo do Extremismo Violento (ICSVE).

“A solução era capturar o assassino vivo! Então poderíamos ficar sabendo quais as suas motivações eram. Porque a polícia matou ele é a questão”, acrescentou ele.

“Ficar apontando o dedo indicador para cima é um costume das organizações terroristas Estado Islâmico e Al-Qaeda. O assassino claramente ficava apontando seu dedo indicador para cima. Ele também mencionou a Jihad e as palavras ‘belde e emin’ que significam lugares seguros, uma referência comum à terminologia jihadista e ficou gritando ‘Vocês mataram pessoas inocentes, Ya Allah, bismillah!’, um lema usado comumente pelos terroristas da Al-Qaeda e do Estado Islâmico”, acrescentou o Dr. Yayla.

“Aconteceram várias manifestações em frente das embaixadas russa e iraniana organizadas pela juventude do AKP na Turquia durante a semana passada. Ninguém do governo desencorajou os que estavam se reunindo e protestando. Em vez disso, eles foram apoiados ativamente nas mídias sociais”, escreveu o Dr. Yayla.

Este incidente em particular também indica que a juventude do AKP estava no processo de radicalização durante a interação com grupos jihadistas na Turquia e na Síria. Este é um desenvolvimento novo que deveria alarmar não apenas os países da União Europeia mas também os Estados Unidos. A transitividade entre esses grupos radicais e as organizações da juventude do AKP não deve ser subestimada.

Outra indicação importante de que grupos radicais poderiam querer buscar uma vingança na Turquia foram os tweets de Abdulkadir Sen da Universidade Alparslan na Turquia clamando “por um massacre dos alevitas” logo após a tomada de Alepo pelo exército sírio.

“…Se a resistência na Síria for mal sucedida, haverá uma guerra na Anatólia com os selvagens sectários de Shah Ismail. Todos devem fazer seus cálculos tendo isso em mente”.

“…Todos devem ir ao consulado russo; estou lá, também. Não vamos nunca esquecer do Irã: este massacre (na Síria) foi feito com a parceria de (seitas) xiitas/jaafaritas/duodecimanos e dos cruzados”.

Até agora, a Rússia e a Turquia disseram que isso é uma jogada com a intenção de enfraquecer os laços entre os dois países. Contudo, a verdade está lá fora. Tão simples. A Rússia e a Turquia estavam em lados opostos da guerra civil síria e, com certeza, existem algumas consequências.

Aydogan Vatandas

Fonte: www.huffingtonpost.com

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