Últimas notícias
  • Inflação turca se aproximou de 85% em setembro, em torno de 72% no final do ano Espera-se que a inflação anual da Turquia suba perto de 85% em setembro e foi vista diminuindo apenas para 72% no final de 2022, uma pesquisa da Reuters mostrou na quarta-feira, depois que o banco central chocou os mercados ao cortar as taxas duas vezes, apesar do aumento da inflação. ...
  • Turquia se curva à pressão dos EUA, corta os laços bancários com os russos O florescente comércio da Turquia com Moscou em tempo de guerra deu um grande passo atrás na quarta-feira com a confirmação de que os três últimos bancos ainda processando pagamentos com cartão russo estavam se retirando sob pressão de Washington. ...
  • Jornalista investigativo que reporta desde o exílio é alvo de jornal pró-Erdoğan Cevheri Güven, um jornalista de investigação no exílio, cujos vídeos no YouTube, nos quais ele fala sobre a corrupção e as relações obscuras do governo turco, atraem centenas de milhares de espectadores, foi alvo de um jornal pró-governo que revelou seu endereço e publicou secretamente fotos sua, noticiou o Turkish Minute. ...
  • Turquia promete defender interesses contra Grécia em meio a tensões A Turquia convocou na segunda-feira o embaixador grego para protestar contra o suposto envio de dezenas de veículos blindados fabricados nos EUA para as ilhas gregas que, segundo Ankara, deveriam permanecer desmilitarizadas em conformidade com os tratados internacionais. ...
  • Relatório da ONU implica que Turquia pode ter cometido crimes de guerra com mortes de civis em ataques na Síria Há motivos razoáveis para acreditar que o uso de armas explosivas não guiadas para atacar áreas urbanas e vilarejos equivale ao crime de guerra de lançar um ataque indiscriminado causando morte e ferimentos a civis, disse a Comissão Internacional Independente de Inquérito da ONU sobre a República Árabe da Síria em um relatório publicado em 14 de setembro, referindo-se a morteiros que podem ter sido disparados da Turquia e vários ataques com drones matando civis em várias ocasiões em 2022. ...
  • Fundação sediada nos EUA dirigida pela família de Erdoğan se finge de morta após transferências de dinheiro suspeita O presidente turco Recep Tayyip Erdoğan tinha uma programação em Nova York, aonde vai todos os anos à Assembleia Geral das Nações Unidas, para participar do tradicional jantar de gala da Fundação Turken, que é dirigido por seus familiares e parentes. Entretanto, este ano, Erdoğan não participou de nenhum evento da Turken. O presidente da Turken teve uma breve reunião com Erdoğan junto com uma dúzia de outros representantes de ONGs turco-americanas no domingo. A decisão do escritório Erdoğan está no fato de que a fundação está enfrentando sérias acusações de recebimento ilegal do dinheiro dos contribuintes turcos. Curiosamente, a fundação não tem se envolvido em nenhuma atividade por muito tempo.  ...
  • Procurador turco expulso por supostamente ajudar inteligência iraniana a sequestrar dissidentes De acordo com a mídia turca, o mais alto conselho judicial da Turquia expulsou um promotor público que foi anteriormente preso como parte de um caso envolvendo acusações de espionagem e sequestro em nome da inteligência iraniana. ...
  • Possível risco sancionatório força bancos turcos a agir sobre sistema de pagamento russo Dois bancos privados na Turquia suspenderam o uso do sistema de pagamento russo Mir no início desta semana, após sinais de alerta dos Estados Unidos. ...
  • O significado das ideias econômicas incomuns de Erdogan para a Turquia O presidente turco Recep Tayyip Erdogan não é o único político que não gosta quando os bancos do país cobram das pessoas relativamente pesado para pedir dinheiro emprestado. O que o diferencia é sua crença pouco ortodoxa em taxas de juros baixas e sua determinação em obter o controle da política monetária dos banqueiros centrais. O resultado: Uma sucessão de cortes de taxas de referência que alimentou a inflação desenfreada e precipitou um colapso da moeda.  ...
  • Voos Moscou-Istambul esgotados em meio à mobilização militar de Putin Os russos compraram todos os voos diretos entre Moscou e Istambul para os próximos três dias após a mobilização parcial dos militares russos anunciada pelo Presidente Vladimir Putin, informou na quarta-feira o Middle East Eye. ...

Um golpe muito previsível?

Um golpe muito previsível?
julho 18
16:53 2016

Os adversários do homem-forte da Turquia conseguiram com a tentativa fracassada de golpe apenas solidificar a posição de Erdogan

O golpe militar na Turquia no fim de semana passado começou na sexta-feira e consistiu em tentativas de tomar prédios do governo e infraestruturas essenciais. O golpe tirou partido, em sua maioria, da gendarmeria e da força aérea e foi liderada por generais e coronéis de hierarquia intermediária. Aconteceram alguns sucessos iniciais, mas já pelo começo da manhã do sábado estava claro que o governo tinha prevalecido. Ao chegar o domingo, quase 6.000 prisões de supostos golpistas tinham ocorrido com mais certamente vindo a seguir.

O Presidente Recep Tayyip Erdogan jurou que reprimirá os militares e também o judiciário e colocou a culpa do golpe sobre seu arqui-inimigo Fethullah Gülen, que reside em exílio na Pensilvânia. Os analistas acreditam que derrotar o golpe aumentou grandemente a autoridade de Erdogan e que ele será capaz de consolidar seu poder ao alterar a constituição do país, que, dado o clima de crise na Turquia devido ao golpe e ao recente ataque terrorista em Istambul, provavelmente terá sucesso. E um processo justo para os supostos golpistas sob as presentes circunstâncias será provavelmente limitado. Relata-se que serão acusados de traição. Erdogan poderá limpar a casa e consolidar seu poder.

Existe inevitavelmente uma contra narrativa que eu e um certo número de observadores da Turquia que se juntaram para discutir os recentes desenvolvimentos estamos inclinados a acreditar. Para não esconder nada, admitirei que todos nós somos críticos estabelecidos da direção autocrática e islamista sendo buscada pelo governo de Erdogan pelos últimos três anos.

Primeiro de tudo, apesar de não ser uma questão principal, nenhum de nós acredita que Gülen estava por detrás do golpe. É conveniente a Erdogan culpar seu principal adversário porque isso facilitará as prisões de cada adversário que não esteja ligado ao golpe de fato ao alegar que são gulenistas. Erdogan tornou-se um adepto em colocar adversários na cadeia, frequentemente jornalistas, sob acusações forjadas para incluir a traição e dessa vez não vai ser diferente. O processo já começou com a detenção de um bom número de militares e juízes e, sem dúvida, será expandido conforme mais inimigos sejam identificados.

Em segundo lugar, quase todos nós acreditamos que o golpe foi basicamente uma armação. Erdogan e seu governo vem avisando por meses sobre a possibilidade de um golpe, portanto o evento em si não deve surpreender ninguém. É agora certo que havia um golpe de fato sendo tramado, aparentemente apoiado pelos kemalistas entre os militares que defendem um estado secular e estão alarmados pelos aspectos das políticas externas de Erdogan, incluindo sua colaboração com grupos terroristas e hostilidade contra Rússia e Síria. Houve também provavelmente um elemento de preocupação com a economia em deterioração da Turquia com o temor europeu do terrorismo afundar com a indústria do turismo, uma questão ligada com a interferência de Ancara na Síria e a busca por vingança pessoal contra o principal partido político curdo, o Partido Democrático Popular (HDP). Muitos observadores e até funcionários do governo quando falavam extra-oficialmente também criticaram a ruptura dirigida por Erdogan da trégua que até recentemente prevaleceu com a minoria curda doméstica e sua ala armada, o PKK.

Os golpistas provavelmente enganaram-se em sua pré-suposição de que havia um amplo apoio nos níveis mais altos entre os militares turcos para um golpe. Os generais, que antigamente teriam sido adversários naturais das ambições de Erdogan, tinham sido severamente punidos em seu primeiro encontro com o então primeiro-ministro em 2010-2011. Uma série de julgamentos show que alegavam que os altos oficiais estavam envolvidos em conspirar contra o governo baseados em evidências frágeis removeu muitos das hierarquias mais altas, substituindo-os gradualmente com outros, leais a Erdogan. Muitos dos oficiais que foram condenados por isso apenas recentemente foram soltos da prisão mas, tendo estado fora do poder por muitos anos, não retiveram qualquer habilidade de tomar ação contra o governo.

Os golpistas podem ter se aproximado de um ou mais dos generais recentemente nomeados por Erdogan, pois sem o apoio deles um golpe não seria bem-sucedido, esperando que os ouvissem com simpatia. Ao que tudo parece, foram recebidos cordialmente mas o oficial chefe imediatamente reportou a abertura deles ao presidente, montando o cenário para uma armadilha.

O resto seguiu o curso mais ou menos conforme planejado. Os golpistas ouviram de simpatizantes no judiciário ou na polícia que eles em brave seriam presos, portanto eles iniciaram o golpe antes que seus planos estivessem completados e quase pegaram o governo de surpresa. Eles eram poucos em número portanto devem ter tido a esperança que outros se juntariam a eles em breve. Eles não foram bem-sucedidos e unidades leais do exército e da polícia rapidamente se organizaram para resistirem a eles. Erdogan conseguiu convocar seus apoiadores civis a tomarem as ruas e se reunirem no aeroporto em Istambul. Os resultados foram previsíveis e o golpe foi esmagado. Erdogan agora ceifará os benefícios políticos. Ele também está exigindo a extradição de Gülen dos Estados Unidos e relata-se que a Administração de Obama esteja considerando o pedido.

Mais um aspecto do golpe causou alguma confusão. Previamente, supôs-se sem qualquer evidência que os golpistas estavam desapontados pelas recentes aberturas do governo Erdogan com a Rússia e a Síria para restaurar as relações normais. Essa é uma leitura completamente errônea dos desenvolvimentos, pois os militares turcos há muito tem relutado a apoiar quaisquer operações na Síria e, em geral, se opõem a quaisquer iniciativas fora das fronteiras da Turquia. Durante uma breve tomada da televisão turca, os líderes do golpe se referiram ao movimento deles como um “conselho de paz”. Os generais estão com as mãos cheias dos problemas internos dos curdos e dos refugiados e definitivamente não estão encorajando assumir qualquer coisa nova.

Pode-se também adicionar às acusações de igual para igual à Rússia e à Síria a recente reaproximação com Israel. A economia turca está em uma condição ruim e sua reputação internacional foi gravemente machucada pelas politicas exteriores e domésticas de Erdogan. Enquetes têm sugerido que o público turco está culpando Erdogan diretamente pelo declínio da taxa de emprego da renda e também pelo problema do terrorismo. A mudança na política para reparar as relações com um certo número de países tem sido uma resposta a essa preocupação e não está relacionada ao descontentamento entre os militares turcos.

Portanto o golpe militar que foi abortado tornou-se uma grande vitória para o Presidente Erdogan. Ainda está para ser visto como exatamente ele explorará isso, mas é certo que ele usará o golpe com um pretexto para expandir seus próprios poderes. Àqueles que questionam a noção de que o presidente turco mataria seus próprios soldados para avançar seus planos políticos, deve-se reparar que ele estava considerando fazer isso em 2014 para criar um pretexto para a guerra com a Síria. Consequentemente a questão de se Erdogan pode de fato ter ajudado a montar o golpe em uma versão de uma operação de bandeira falsa é certamente intrigante e deve ser considerada. Deve ser levado em conta pela Casa Branca antes de contemplar se curvar a quaisquer exigências de Ancara de extraditar Gülen ou qualquer um de seus associados.

Philip Giraldi

Fonte: www.theamericanconservative.com

Artigos relacionados

0 Comentários

Nenhum comentário ainda!

Não há comentários no momento, gostaria de adicionar um?

Escreva um comentário

Escreva um comentário

Deixe uma resposta

Mailer