Últimas notícias
  • CoE insta “fortemente” as autoridades turcas a liberar Demirtaş O Comitê de Ministros do Conselho da Europa adotou na quinta-feira uma resolução provisória "instando fortemente" as autoridades turcas a assegurar a libertação imediata do líder curdo preso Selahattin Demirtaş....
  • A crise monetária da Turquia Após a demissão do ministro das finanças e sua substituição por um lealista em 2 de dezembro, a lira turca continuou seu declínio constante em relação ao dólar, elevando suas perdas do ano para quase 50%. A moeda turca está novamente sob ataque especulativo, semelhante aos episódios anteriores em julho de 2018 e outubro de 2020. Os cortes antecipados do Banco Central da República da Turquia (CBRT) na taxa de câmbio desde setembro resultaram em um êxodo de capital estrangeiro e em uma corrida na demanda por divisas entre os investidores domésticos. Enquanto isso, os preços globais de commodities e energia permanecem altos (apesar da recente queda nos preços do petróleo), e as expectativas em relação à inflação se deterioraram significativamente, levando a taxa de câmbio TL a cair de 8,30 para 13,60 para o dólar em menos de três meses....
  • Turquia aumentará sua presença na INTERPOL, diz membro recém-eleito do Comitê Executivo A Turquia aumentará sua presença na INTERPOL aumentando seu número de oficiais de ligação na Secretaria Geral e nomeando mais candidatos para cargos superiores dentro da organização, disse na quinta-feira Selçuk Sevgel, membro recém-eleito do Comitê Executivo da INTERPOL, em entrevista à agência estatal de notícias Anadolu, informou o Stockholm Center for Freedom....
  • Papa pede por cura em um Chipre dividido, arcebispo ortodoxo ataca a Turquia Papa encontra os líderes cristãos ortodoxos de Chipre. Pede por cura na ilha dividida. Líder cipriota turco convida papa a visitar o norte. Muitos dos participantes da missa são filipinos que trabalham no Chipre...
  • Ministro das finanças da Turquia, Lutfi Elvan, demite-se em meio à crise monetária O Ministro das Finanças e do Tesouro da Turquia, Lutfi Elvan, renunciou em meio a uma forte queda da lira turca, de acordo com um decreto presidencial emitido no jornal oficial turco na quinta-feira....
  • Documentário sobre femicídios na Turquia é a indicação ao Oscar do Reino Unido Um documentário relatando os esforços dos ativistas que trabalham para acabar com a violência contra as mulheres na Turquia foi escolhido como a entrada oficial do Reino Unido para a categoria de Melhor Longa Metragem Internacional no Oscar....
  • Homem sequestrado pela inteligência turca forçado a testemunhar contra deputados da oposição Segundo Gergerlioğlu, Yasin Ugan foi forçado a testemunhar sob tortura que os dois deputados eram filiados ao movimento Hizmet, um grupo baseado na fé inspirado nos ensinamentos do clérigo turco Fethullah Gülen, que tem sido alvo do presidente turco Recep Tayyip Erdoğan desde as investigações de corrupção de 17-25 de dezembro de 2013, que implicaram o então primeiro-ministro Erdoğan, seus familiares e seu círculo interno....
  • 8 morrem em fortes tempestades que assolaram o oeste da Turquia As províncias do oeste da Turquia, incluindo a cidade mais populosa do país, Istambul, foram duramente atingidas por condições climáticas adversas, com oito pessoas morrendo como resultado de acidentes relacionados ao clima em três províncias, noticiou a mídia turca na terça-feira....
  • Autoridades na Turquia investigam avisos de escassez de medicamentos após queda da lira As autoridades turcas estão sondando as discrepâncias entre os registros e os estoques reais de alguns medicamentos, disse o Ministério da Saúde na terça-feira, depois que consumidores, farmácias e chefes de indústria advertiram sobre as interrupções nos fornecimentos devido a uma queda da moeda....
  • “Nosso dinheiro não tem valor”: Aumenta a frustração na Turquia com a crise de Lira A insistência do Presidente Recep Tayyip Erdogan em direcionar a política monetária e manter as taxas de juros baixas está drenando a confiança, dizem os economistas....

Erdogan destrói o aliado Davutoglu por poder

Erdogan destrói o aliado Davutoglu por poder
maio 07
12:07 2016

Na busca por mais poder, o Presidente Recep Tayyip Erdogan da Turquia expurgou o judiciário de inimigos, colocou jornalistas na cadeia e esmagou protestos anti-governo. Agora, ele destituiu seu aliado político mais próximo, o primeiro-ministro do país, Ahmet Davutoglu, cujo modesto esforço para pôr em cheque a ambição do Sr. Erdogan foi demais para o presidente.

O Sr. Davutoglu, publicamente leal ao Sr. Erdogan mesmo quando ele recuou privadamente alguns de seus excessos, disse na quinta-feira que ele se afastaria da liderança do islamista Partido da Justiça e do Desenvolvimento, ou AKP, e desistir de sua posição como primeiro-ministro.

Claramente abalado, mas um leal soldado do partido até o fim, o Sr. Davutoglu descreveu sua relação com o Sr. Erdogan como “fraterna”.

“Você nunca vai ouvir eu dizer coisas negativas sobre o nosso presidente”, disse ele na quinta-feira, com sua voz tremendo. “Minha lealdade a ele durará até o fim”.

A renúncia do Sr. Davutoglu expôs uma divergência entre os dois homens sobre as ações do Sr. Erdogan para expandir seu poder. Essa divisão sinaliza que a transformação do Sr. Erdogan de democrata para autocrata está quase completa, sua ambição de estabelecer uma presidência executiva está quase a seu alcance.

Como um líder islamista que presidiu sobre uma crescente economia e parecia sério quanto a avançar a democracia na Turquia, o Sr. Erdogan foi recebido de braços abertos pelo Ocidente quando ele chegou ao poder em 2003. Um deslumbrante e carismático reformador, ele parecia personificar a promessa de que o Islã e a democracia poderiam coexistir.

Em anos recentes, os críticos têm argumentado que o Sr. Erdogan nunca teve a intenção de se tornar um líder liberal, citando uma frase atribuída a ele dizendo que: “a democracia é como um ônibus, quando você chega no seu destino, você desce”.

O Sr. Erdogan tentou silenciar seus críticos, algumas vezes com efeitos cômicos, e está buscando mudar a constituição para estabelecer uma presidência mais poderosa e solidificar seu status como a figura política preeminente na Turquia.

O afastamento do Sr. Davutoglu ofereceu outro exemplo vívido do estilo autocrático do Sr. Erdogan e sua grande habilidade da política do poder que os turcos nessa semana compararam a personagens como “O Poderoso Chefão” ou “House of Cards”.

O Sr. Erdogan é frequentemente comparado ao Presidente Vladimir V. Putin da Rússia por seu estilo autoritário e sua habilidade de continuar a vencer eleições enquanto corrói a qualidade das instituições democráticas da Turquia. O Sr. Erdogan lustrou essa imagem quando ele mudou de primeiro-ministro para presidente, algo que o Sr. Putin tinha feito para preservar sua supremacia política.

O Sr. Davutoglu, há muito visto com subserviente ao Sr. Erdogan, foi frequentemente comparado com Dmitri A. Medvedev, o leal vice do Sr. Putin. Mas o Sr. Medvedev ficou por perto e o Sr. Davutoglu está fora.

“O Sr. Erdogan nem sequer quer alguém como Davutoglu, que estava praticamente em harmonia com ele, com algumas nuances”, disse Suat Kiniklioglu, um ex legislador do AKP e o presidente do Centro para Comunicação Estratégica em Ancara. “Passo a passo, ele está assegurando que seu objetivo político, que é o sistema presidencial, seja alcançado”.

A renúncia do Sr. Davutoglu vem logo após um de seus maiores sucessos como Primeiro-Ministro: um acordo com a União Europeia para estancar o fluxo de refugiados da Turquia para o Continente.

O Sr. Davutoglu, não o Sr. Erdogan, ficou na frente dessas negociações, e a atenção internacional que recebeu enraiveceu o Sr. Erdogan, disseram os analistas. O Sr. Davutoglu também buscou uma reunião com o Presidente Obama, de acordo com relatórios da mídia turca, e apesar de a reunião não ter acontecido, os analistas disseram que isso mesmo assim levantou a ira do Sr. Erdogan.

“O Erdogan tem suspeitado profundamente das tentativas do Davutoglu de ganhar credibilidade internacional através de seus acordos com a União Europeia e suas tentativas de se reunir com Obama”, disse Aykan Erdemir, um ex legislador da oposição do principal partido secular da Turquia que agora é um membro sênior da Fundação para a Defesa das Democracias.

erdogan-davutoglu-turquia-presidente-primeiro-ministro

Ahmet Davutoglu, a esquerda, serviu como ministro das relações exteriores da Turquia em 2014 para Recep Tayyip Erdogan, a direita, que era o primeiro ministro naquela época. O Sr. Erdogan mais tarde ascendeu à presidência e o Sr. Davutoglu se tornou o primeiro-ministro. Crédito: Umit Bektas/Reuters

Com parte do acordo dos refugiados, a União Europeia concordou com viagens sem visto para turcos em partes da Europa e em acelerar as negociações há muito tempo paradas da Turquia para se juntar ao bloco. Com o Sr. Davutoglu fora, esse processo está ainda mais em dúvida.

Em público, o Sr. Davutoglu tem grandemente sido respeitoso com o Sr. Erdogan. “Ele estava elogiando-o e glorificando-o”, disse o Sr. Kiniklioglu, o ex legislador.

Mas o Sr. Davutoglu era conhecido por estar menos entusiasmado que o Sr. Erdogan em pressionar por um sistema presidencial, algo que teria eliminado quaisquer autoridades que restassem no gabinete do primeiro-ministro, que sob a Constituição da Turquia é a posição mais poderosa.

“Não existe nenhuma grande divisão ideológica entre os dois”, disse Omer Taspinar, um perito sobre a Turquia da Instituição Brookings. “É uma luta por poder, com Erdogan pressionando por lealdade total e apoio completo dos planos presidenciais, e Davutoglu demonstrando uma leve resistência e assim manter pesos e contrapesos com o intuito de proteger seu papel com primeiro-ministro”.

Enquanto que seus comentários públicos indicavam pouca distância entre ele e o Sr. Erdogan, havia sinais ultimamente que o Sr. Davutoglu estava tentando se afirmar e, ao menos moderadamente, desafiar a autoridade do Sr. Erdogan.

“O problema básico é que Erdogan busca eliminar qualquer um no parido que tenha quaisquer ambições de autoridade próprias”, disse Svante E. Cornell, um analista turco do Instituto Ásia-Cáucaso Central, uma organização de pesquisa.

A divisão entre os dois líderes políticos mais altos da Turquia acrescentou outro aspecto de turbulência em uma época em que o país está enfrentando numerosos desafios: uma guerra no Sudeste contra militantes curdos; repercussões da guerra na Síria, com bombardeamento através da fronteira; e a chegada de milhões de refugiados.

O Sr. Davutoglu tinha sido o principal arquiteto da política turca quanto a Síria, que é vista amplamente como um fracasso.

Por anos, a Turquia permitiu que sua fronteira do Sul com a Síria fosse um canal fácil para armas e combatentes, uma política criticada pelos Estados Unidos e outros aliados por permitir o surgimento e crescimento do Estado Islâmico. A crise de refugiados não mostra sinal algum de diminuir, e o presidente da Síria, Bashar al-Assad, permanece firmemente no poder, apoiado pela Rússia e pelo Irã.

Analistas dizem que o Sr. Davutoglu mais provavelmente será posto como o bode expiatório da política tuca sobre a Síria pelo Sr. Erdogan e seu círculo interno.

O país também passou por um período de instabilidade política no ano passado, depois que o AKP perdeu sua maioria parlamentar antes de reganhar controle em uma eleição antecipada. Durante esse período, as ações turcas caíram e a lira turca perdeu valor contra o dólar, refletindo a preocupação dos investidores com o poder sem fiscalização do Sr. Erdogan.

O Sr. Kiniklioglu disse que a convicção do Sr. Davutoglu sobre as questões internacionais muito provavelmente suscitou preocupações entre o Sr. Ergoan e seu círculo interno de que o primeiro-ministro estivesse vagarosamente tentando exercer sua própria autoridade.

Se referindo ao Sr. Erdogan, o Sr. Kiniklioglu disse: “Ele apenas quer alguém que fique sentado quietamente em Ancara até que a presidência executiva esteja estabelecida”.

O Sr. Davutoglu disse que renunciaria depois de um congresso especial do partido para escolher um novo líder que acontecerá em 22 de maio.

Espera-se que o Sr. Erdogan, que como presidente deveria estar acima das políticas de partido, ajude a escolher um sucessor para o seu ex acólito que será subserviente e lidere seu esforço para reescrever a Constituição e estabelecer um sistema presidencialista. Isso mais provavelmente pediria novas eleições para que o AKP ganhe mais assentos no Parlamento para aprovar quaisquer mudanças constitucionais.

O Sr. Davutoglu, o livresco e professoral contrapeso ao impetuoso e abrasivo Sr. Erdogan, concordou em 2014 em ser o primeiro-ministro quando o Sr. Erdogan foi eleito presidente. Outros altos integrantes do AKP tinham vacilado, temendo que não teriam autoridade alguma sub o Sr. Erdogan.

Analistas dizem que o Sr. Erdogan, dado o seu poder e sua vasta popularidade entre as massas devotas da Turquia, provavelmente não enfrentará muito custo político ao remover o Sr. Davutoglu.

Tradução de: Renato José Lima Trevisan

Fonte: www.nytimes.com

Artigos relacionados

0 Comentários

Nenhum comentário ainda!

Não há comentários no momento, gostaria de adicionar um?

Escreva um comentário

Escreva um comentário

Deixe uma resposta

Mailer