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Nós já sabíamos que Erdogan era ruim? O pior do líder da Turquia ainda estaria por vir

Nós já sabíamos que Erdogan era ruim? O pior do líder da Turquia ainda estaria por vir
julho 18
08:25 2016

Por David Blair Correspondente – The Telegraph

Vingativo, irascível, autoritário e obstinado. O presidente Recep Tayyip Erdogan foi tudo isso, antes mesmo dos generais turcos tentarem leva-lo ao total esquecimento. Agora em sua sobrevida, suas maquinações e seus piores instintos vão ser redobrados e reforçados.

Se no passado, Erdogan foi um aliado enlouquecedor para a Europa e a América, agora o líder que acaba de superar um golpe militar , será capaz de quase tudo.

Em certo sentido, Erdogan tem uma justificativa. Antes da turbulência que começou na noite de sexta-feira à noite, ele soube de uma irritante critica que o levaria a um estado de paranóia.

Os ocidentais ridicularizavam as reivindicações de Erdogan, de que, forças ocultas estavam se concentrando para derruba-lo do poder. E que existia uma conspiração traçando sua queda dentro do estado turco.

Em seguida, vieram as 24 horas mais surreais da história moderna da Turquia. As tropas do exercito militares tomaram Istambul e Ancara, em posições-chave sob a escuridão noturna.

Helicópteros fazem ataques a alvos na capital com movimentos marcantes que varrem os céus noturnos. Ao mesmo tempo em que tanques bloqueiam as pontes suspensas sobre o Bósforo e o comandante do exército mantinha refém de seus próprios oficiais.

Na mente de Erdogan esta sequência de eventos iria confirmar todos os seus temores. A primeira etapa de sua resposta pode ser resumida em uma palavra: vingança.

O estratagema sombrio da vingança começou no sábado com a prisão de 1.563 soldados. No momento em que ele retorna para Istambul, logo nas primeiras horas da manhã. O Sr. Erdogan, grave e pálido, advertiu que seus inimigos iriam “pagar um alto preço” por sua “traição e rebelião”.

O vice-líder do seu partido, “AK “, exigiu o retorno da pena de morte para que os golpistas pudessem ser “executados”. Enquanto isso, o vice-premiê prometeu livrar o governo de todos os inimigos. “Mesmo que eles fossem para as mais minúsculas vilas do estado, eles seriam encontrados e removidos”, declarou.

Como seus subalternos que competiam um com o outro se mostrando mais duros para seus adversários, a mente de Erdogan vai passar para a próxima fase com uma resposta: culpa. Este é o lugar em particular onde os governos ocidentais se preocuparam mais. O presidente é inteiramente capaz de decidir que a Europa e América estavam por trás da tentativa de golpe.

No auge do caos, Erdogan deu uma das entrevistas mais bizarras na história da televisão. O chefe de Estado da Turquia aparece nas telas da televisão, falando em um telefone celular com a mão nervosa agarrada a um apresentador, assim ele reagiu a sua primeira impressão ao golpe.

Falando sobre o aplicativo FaceTime, Erdogan deu culpa ao golpe a uma “estrutura paralela”. Todos na Turquia sabiam do que ele queria dizer com essa frase.

Em 2013 Erdogan teve uma espectacular queda frente a um pregador de posse de enorme carisma, que agora vive em exílio na América, chamado Fethullah Gülen.

Desde então, o presidente acusou repetidamente o Sr. Gülen teria tentado derruba-lo do governo através de agentes incorporados no exército e no poder judiciário.

No momento em que as tropas e os tanques começaram a tomar as pontes sobre o Bósforo, Erdogan decidiu claramente que os seus amargos inimigos que pertenciam a estrutura “Gülenista” estavam por trás desse trabalho. Enquanto isso, (no sábado seguinte ao golpe) o Sr. Gülen, condenou publicamente o golpe, mas isso não seria suficiente para salvá-lo da ira do presidente.

E é aí que o Ocidente torna-se relevante. O Sr. Gülen que vive na Pensilvânia, dando Erdogan uma possibilidade óbvia para acusar a América de conivência nesta trama.

Por extensão, ele também inclui a Europa na nefasta categoria daqueles que tentaram derrubá-lo.

A União Europeia depende da Turquia para conter o fluxo de migrantes em todo o Mediterrâneo.

O acordo assinado com o Sr. Erdogan em março trabalhou efectivamente: a queda drástica do número de barcos que navegava nas ilhas gregas, desde o ano passado. Mas será que essa ação estava segura nas mãos de um Erdogan furioso no rescaldo do pós golpe de estado?

Mesmo antes de ter sido empurrado para a beira de um precipício, seus asseclas haviam prendido dezenas de jornalistas e trouxeram 1.800 casos criminais contra pessoas acusadas de “insultar o presidente”.

Agora que escapou um golpe real, Erdogan vai redobrar os seus esforços para silenciar todos os críticos. Como a Turquia pondera as consequências de suas 24 horas surreais, há uma amarga verdade: o inferno não tem a mesma fúria de um Erdogan que sobreviveu por pouco.

Golpe na Turquia | A história das crises

1960

Um golpe militar quase sem sangue foi levado a cabo por oficiais e cadetes das escolas militares do exercito em Istambul e Ancara. No dia seguinte, o comandante das forças terrestres, General Cemal Gursel, exigiu reformas políticas e renunciou quando suas exigências foram recusados. Os líderes estabeleceram um Comitê de Unidade Nacional com 38 membros com Gursel como presidente. Das 601 pessoas que tramaram, 464 foram consideradas culpadas.

1971

The “Golpe por Memorandum”: O exército, depois de meses de greves e violência, emitiu um aviso ao governo para restaurar a ordem nas ruas, devido o conflito entre esquerdistas e nacionalistas. Alguns meses mais tarde, o primeiro-ministro Suleyman Demirel criou uma coalizão, sob a supervisão de militares, entre os políticos conservadores e tecnocratas para estabelecer e restaurar a ordem. A lei marcial foi criada em várias províncias e não foi completamente efetivada até setembro de 1973.

1980

Em 12 de setembro, o comando Maior do exército liderado pelo general Kenan Evren, realizou um golpe. A ação seguiu com o ressurgimento da luta de rua entre esquerdistas e nacionalistas. Líderes políticos e do parlamento foram presos, e os sindicatos foram dissolvidos. Um Conselho Nacional de Segurança formado por cinco membros tomaram o controle, suspendendo a constituição e implementaram uma constituição provisória que deu poder quase ilimitado para os comandantes militares.

1997

O “Golpe Pós-Moderno”: Em 18 de junho, o primeiro-ministro Necmettin Erbakan, é denunciado por oponentes como um perigo para a ordem secular do país, ele deixou o cargo sob pressão dos militares, junto com seus colegas políticos das finanças e do sistema judiciário. Os generais se viram compelidos a agir para defender o Estado secular fundado por Mustafa Kemal Ataturk.

2007

O sombrio grupo Ergenekon veio à tona quando um esconderijo de explosivos foi descoberto em uma casa em Istambul durante uma batida policia. Centenas de pessoas foram a julgamento por alegada tentativa de golpe contra o então primeiro-ministro Tayyip Erdogan, 275 oficiais, jornalistas, advogados e outros foram considerados culpados. Em 2016, todos os veredictos foram derrubados, depois que o tribunal de apelações não comprovou a existência da rede chamada Ergenekon.

2010

Um jornal revelou um golpe de trama secularista, apelidado de “Sledgehammer”, supostamente remontado no ano de 2003, destinado a fomentar o caos social para derrubar as raízes islâmicas do partido AK de Erdogan. Em 2012, durante o tribunal foram presos 300 dos 365 réus. Dois anos mais tarde, quase todos os condenados foram libertados depois que o Tribunal Constitucional considerou que seus direitos haviam sido violados. Mais uma vez, os seguidores de Gulen foram responsabilizados pelo caso, o que eles negam.

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