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Entrevista com Rizanur Meral, presidente da TUSKON

Entrevista com Rizanur Meral, presidente da TUSKON
Março 23
12:53 2016

A TUSKON é umas das mais reconhecidas associações empresariais da última década. Acredita-se que suas iniciativas tenham papel crítico na redução do impacto da crise econômica internacional de 2008, que atingiu com força a União Europeia e os EUA, e na expansão da Turquia na África. O presidente da TUSKON, Rizanur Meral, revelou que eles estão prestes a lançar uma iniciativa para aumentar o envolvimento das mulheres no mundo dos negócios. Meral tem presidido a TUSKON pelos últimos 7 anos, dando prioridade a ser um “treinador” nos negócios acima de sua própria carreira bem-sucedida. Veja, abaixo, a entrevista com presidente Meral:

Como a TUSKON conseguiu formar a estrutura existente?

Frequentemente, somos perguntados questões do tipo, “Como a TUSKON se desenvolveu? O Partido X ou Y está por trás disto? Etc.” A TUSKON é fruto da ação de 20 anos de uma sociedade civil.

Empresários da Anatólia, tendo se recuperado durante a presidência de Ozal, no início da década de 1990, sentiram a necessidade de se organizar para ter uma representação mais efetiva. A partir dos anos 1990, inúmeras associações empresariais começaram a emergir. MUSIAD foi fundada em 1990; e a associação de membros da TUSKON atual, em 1992. Uma série de instituições para melhorar sua representação surgiram em todo o país. Elas continuaram assim até 2000 quando perceberam que não gostariam de permanecer representadas somente por associações. Assim, estabeleceram uma confederação iniciando um fluxo de contínuo de confederações estabelecidas em todo o país. A partir de 2005, quando as negociações com a União Europeia e expansão acelerada da Turquia no exterior, mesmo as confederações passaram a não cumprir as expectativas. Primeiro, quatro federações se integraram sob o nome TUSKON, seguidas de outras três. A TUSKON, atualmente, é composta por sete federações diferentes.

E foi assim que a TUSKON foi criada?

Este é o resultado de um trabalho de 20 anos. Engloba companhias de todos os tamanhos no campo dos negócios. Por isso, definimos a TUSKON como uma “verdadeira representante do mundo dos negócios.” Como se sabe, KOBIs (pequenas e médias empresas) somam 99% das empresas ativas no mercado turco. Elas são abundantes na TUSKON, juntamente com grandes empresas. Contudo, a TUSKON é retratada como se incluísse apenas empresas de grande porte. Temos orgulho de nossos pequenos membros. Nosso objetivo é contribuir para seu crescimento. Temos cerca de 100 membros de grande porte entre as top 500 da Turquia.

Já que você mencionou isto, quais são estas grandes companhias?

Por exemplo, Grupo Boydak. Recentemente, eles se juntaram à TUSIAD (Associação de Industriais e Empresários Turcos). Além daquele, Grupo Fernas e um grupo baseado em Izmir.

Grupo Orkide?

Sim. E Grupo Alfemo. Não é fácil nomear todos eles. Eu preferiria não fazê-lo. O número de membros têm crescido nos últimos anos.

Quem estão entre eles?

Como disse, eu preferiria não focar em nomes. Há comprinhas da indústria mineradora e empresas de comércio internacional. A TUSKON considera que as empresas tenham a intenção de se expandir no comércio externo.

Então, a intenção é expandir para mercados estrangeiros?

Correto. Entre os membros há muitas companhias de olho exterior, que estão tendo uma baixa performance em seus campos. Elas buscam integrar certos mercados sem dificuldades. A TUSKON tinha cerca de 7.000 membros quando foi criada e chegou aos 46 mil ano passado. Este é um número notável tanto em escalas nacionais quanto globais. A TUSKON é altamente apreciada entre as ONGs, pois suas atividades são baseadas em resultados e isto promove um crescimento rentável para as empresas.

Você disse que faz 7 anos desde que a TUSKON foi fundada e 20 anos desde que foi iniciada. Sete ou vinte anos de história não é suficiente para se estabelecer no comércio global de hoje em dia. Como vocês alcançaram esta eficiência?

Em cada país com os quais nos engajamos, usamos os recursos e valores turcos em nome do mundo dos negócios. Em outras palavras, estamos tentando formar uma sinergia e fazer máximo uso de tudo. Temos um diálogo próximo com instituições públicas, governo e burocratas. Temos relações próximas com ministros da economia, indústria e comércio exterior. Tentamos nos beneficiar de seus contatos já que eles têm escritórios, embaixadas e adidos comerciais em países de todo o mundo. Eles são, neste sentido, uma conveniência ao expandir as pontes iniciais para nós.

Vocês parecem fazer uma menção modesta sobre o papel das escolas em preparar o caminho. Porém, eu observei em minhas visitas que vocês se beneficiam muito mais dos contatos delas. Vi muitos exemplos. Assim, acredito que suas contribuições são muito importantes para vocês.
Certamente, sem dúvida.

Como a expansão para a África aconteceu?

Nós acreditávamos que seria necessário fazer um salto importante quando fundamos a TUSKON. Um empreendimento que fosse benéfico e fizesse um nome para nós no meio. Isto deveria ser algo que nunca tivesse sido feita antes, o que se tornou nossa tradição até hoje. Decidimos unir empresários estrangeiros com suas contrapartes turcas. A Turquia possui os produtos, mas não o mercado. Países túrquicos vieram à nossa mente primeiro, porém eles já eram familiares às maneiras turcas. Além disso, isso não teria atraído a cobertura da mídia desejada. Assim, decidimos sobre a África, que seria um empreendimento completamente novo para o mundo de negócios turco, com novas e diversas faces. A Ponte de Comércio África-Turquia aconteceu em 2006 com a participação de 500 empresários de 31 países.

Ela foi realizada no CNR Expo. Eu cobri esta matéria no meu show “Yasayan Ekonomi”, na época.

Começamos com a África e fomos além. A África ainda é especial para nós, mas o nome da TUSKON não deveria ser associado a este país somente.

América, em especial, América do Sul foram adicionadas recentemente.

Exato. Nossas exportações para América do Sul cresceram 20% enquanto para países africanos 29%. Após um tempo, nossos empresários ganharam experiência na África e nossas atividades caíram numa rotina.

Por que o presidente de uma nação viria à Turquia para visitar a TUSKON? A pessoa em questão não é um presidente ordinário; estou falando da Presidente do Brasil, Dilma Rousseff, que veio de seu país para se encontrar com membros da TUSKON.

Ela veio para uma visita oficial, na verdade. As visitas acontecem assim: Um itinerário de duas partes é programado para visitas oficiais de chefes de estado. Primeiro, reuniões oficiais acontecem em Ankara, depois vem a parte de Istambul, que se caracteriza por contatos econômicos e culturais. O Estado nos nomeia para recebermos alguns convidados nesta fase. Por meio destes contatos, somos capazes de mudar muitas opiniões de chefes de estado sobre a Turquia. Nós recebemos os primeiros-ministros do Equador, Colômbia, Chile e a presidente do Brasil. Também enviamos delegações à América do Sul e trocamos visitas com muitos outros países. Devido a estes contatos, o volume de nossas negociações se aceleraram rapidamente.

Além disto, temos iniciativas no sudeste da Ásia, onde a TUSKON, foi a primeira a iniciar uma rede de contatos turca. Delegações de vários países, incluindo Vietnam, Camboja e Laos foram recebidos aqui e introduziram a Turquia à suas instituições. Por exemplo, ontem, recebemos o Embaixador do Panamá, que está animado em fortalecer suas relações com a Turquia.

Atividades multidimensionais estão em andamento. Mais de 800 visitas de delegações são organizadas em mais 100 países todos os anos. Acabei de ouvir que um grupo de nossos membros pretendem visitar a República Dominicana, outro acabou de voltar das Filipinas. Da mesma forma, muitos estão em contato com sua contraparte americana de 23 estados.

A economia do Texas, sozinha, é maior que a da Turquia.

Houston, com sua economia de 400 bilhões de dólares, equivale à metade da economia turca. Então, com uma série de atividades voltadas a uma ampla variedade de países, preparamos o caminho para possíveis negociações.

De certa forma, vocês estão treinando o mundo dos negócios como um time.

Se você define assim.

Você mencionou 46 mil para determinar o número de membros da TUSKON. Qual é a proporção da economia que estes membros detêm?

Infelizmente, não temos esta informação, mas parece que estes 46 mil membros possuem cerca de 120 mil empresas. Não temos uma estimativa precisa, ainda.

O que a TUSKON tem entre seus objetivos?

No momento, estamos focados em uma iniciativa sobre as mulheres. Conforme descobrimos mais sobre o mundo, percebemos que o envolvimento de nossas mulheres é consideravelmente mais baixo que a média global. Mulheres são muito ativas na Rússia, África e Vietnam, de onde recebemos uma delegação composta de 41 pessoas, sendo 38 mulheres. Pensei que elas estavam acompanhando empresários quando as vi pela primeira vez. Entre elas há proprietárias de empresas de construção e grupos empresariais. O mesmo ocorre com as empresárias africanas, por exemplo, nós encaminhamos uma empresária do Zimbábue, que pediu para se encontrar com nossos membros femininos, à duas empresárias. Porém, nossos membros disseram que ela não ficou satisfeita com o contato e não o levou à sério.

Estas mulheres de negócios nos inspiraram a agir e dissemos: Por que não fazemos o mesmo? Esposas, filhas, irmãs e sobrinhas de nossos membros são bem educadas e já têm conhecimento sobre o campo de atividade. Acreditamos que elas devem ser envolvidas nas atividades da sociedade civil. Elas têm todo o direito de fazer parte dos negócios, para avançar e enfrentar o mundo. O mundo precisa delas, também. Assim, realizamos o primeiro fórum, na Turquia, para grandes mulheres de negócios, em 2012, com a participação de 50 empresárias russas. A sala estava tão animada.

Parece que, pelo menos uma vez, a sala ficou livre de ternos pretos e azul-escuro.

Sim, ela estava, definitivamente, coloria. Ambas as partes ficaram incrivelmente satisfeitas e mantiveram contato em outras ocasiões. Temos a tradição de unir as pessoas para que elas possam observar a sociedade turca proximamente e aprender sobre a estrutura social e familiar turca. Para isto, convidamos nossos visitantes para jantares em lares turcos. Quando as russas ouviram que estavam sendo convidadas para jantar na casa de empresárias turcas, ficaram surpresas e perguntaram por quê. Foi difícil convencê-las. Quando elas estavam retornando a seus hotéis, uma de nossas amigas perguntou o que elas acharam. Elas pareciam muito agradecidas dizendo, “Não poderia ter havido melhor família anfitriã.”

O que mais as impressionou?

A atmosfera familiar calorosa e amigável e o fato de que as empresárias turcas cozinharam e serviram a comida elas mesmas. Se sentir bem-vindas naquelas casas significou muito para elas. Durante as reuniões do dia seguinte, ainda sob a influência daqueles sentimentos, a presidente da confederação disse: ‘Em nenhum lugar que já visitamos, no mundo, tivemos tal hospitalidade. Estamos muito impressionadas.” De maneira semelhante, cada um de nossos convidados que vêm para encontros de negócios é recebido por famílias turcas com a mesma hospitalidade. Eles tomam café da manhã ou comem “cig kofte” juntos e se divertem com danças folclóricas turcas.

Iniciativas para promover o envolvimento das mulheres no mundo dos negócios estão em andamento. Que iniciativas são estas?

Tentamos fazer com que elas sigam a mesma rota que nós.

Que é?

Elas deveriam ser encorajadas a se globalizarem, e assim, ganhar confiança no mercado. Elas precisam ter certeza de que o comércio internacional não é tão desafiador quanto parece. Novos empresários nascem todos os dias ao redor do mundo. Nossos homens e mulheres de negócios deveriam interagir com eles e iniciar negociações.

A parte mais difícil parece ser convencer os homens. Como vocês vão conseguir isso?

Isto não parece ser um problema para eles. Eles têm colegas do sexo feminino no campo, de qualquer forma.

Mas fazer uma parceria com elas deve ser diferente de, apenas, compartilhar um campo?

Parcerias vão bem até certo ponto. Somente quando mulheres começam a superar seus colegas do sexo masculino, alguns problemas podem acontecer. Empresários turcos não são contra empreendimentos femininos; ao contrário, em geral, eles ficam contentes com isso.

O que é feito com relação às empresas familiares?

A TUSKON contribui não somente para a globalização de negócios, mas também para seu crescimento interno ao diagnosticar as necessidades do mundo dos negócios e agir para atende-las, organizando workshops e reuniões relevantes. O maior desafio da Turquia é que o mundo dos negócios da Anatólia – iniciado modestamente por anciãos e passados para seus filhos mais capacitados, que o institucionalizaram e, depois, o globalizaram – precisa de contribuições e encorajamento. É como a metamorfose de uma borboleta. Nós oferecemos dois tipos de treinamento, teórico e prático. Os treinamentos teóricos são dados por acadêmicos e, certamente, beneficiam os participantes. Ainda mais benéfico, para eles, é ouvir empresários de sucesso como Abdulkadir Konukoglu e Haci Boydak. Esta é uma experiência única para eles.

Os convidados devem sentir o mesmo ao compartilharem suas experiências.

Definitivamente. De certa forma, eles fazem um zakat (ato de caridade islâmico) com suas experiências. E isto inicia a transformação de uma empresa familiar, pois o negócio depende do seu capital. Nós ensinamos como fazer parcerias de sucesso e os segredos para mantê-las e oferecemos parcerias internacionais para aqueles que são capazes.

Ünal Tanık

Extraído da entrevista publicada, em turco, em Rotahaber, 20 de fevereiro de 2013.

Fonte: http://pt-hizmetmovement.blogspot.com.br

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