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“É hora de parar de usar o islã como ferramenta de política e guerra”

“É hora de parar de usar o islã como ferramenta de política e guerra”
março 11
13:11 2016

Desde seus primórdios, o islã é usado como ferramenta nas disputas de poder. É hora de mudar isso

Nós muçulmanos gostamos de acreditar que a nossa é “uma religião da paz”, mas hoje o islã mais parece uma religião de conflito e derramamento de sangue. Das guerra civis na Síria, Iraque e Iêmen até as tensões internas no Líbano e Bahrein, da rivalidade perigosa entre o Irã e a Arábia Saudita, o Oriente Médio está empestado de conflitos intra-muçulmanos que parecem remontar à antiga rivalidade entre sunitas e xiitas.

A religião não está de fato no centro desses conflitos –invariavelmente, a política é a culpada. Mas o uso indevido do islã e de sua história torna esses conflitos políticos muito piores, à medida que partidos, governos e milícias alegam estar lutando não pelo poder ou por território, mas em nome de Deus. E quando os inimigos são vistos como hereges em vez de apenas oponentes, fica muito mais difícil se chegar à paz.

Essa confluência de religião e política também envenena o próprio Islã, ao obscurecer todos os ensinamentos teológicos e morais da religião. A ênfase do Alcorão na humildade e compaixão é suplantada pela arrogância e agressividade dos grupos em conflito.

Esse não é um problema novo no islã. Durante a liderança no século 7 do profeta Maomé, cuja liderança era aceita por todos os fiéis, os muçulmanos eram uma comunidade unida. Mas logo após a morte do Profeta, surgiu uma tensão que escalou até o derramamento de sangue. A questão não era como interpretar o Alcorão ou como entender as lições do Profeta. Tratava-se de poder político: quem –como califa, ou sucessor do profeta– teria o direito de governar?

Essa questão política até mesmo colocou a viúva do profeta, Aisha, contra o genro dele, Ali. Seus seguidores mataram uns aos outros aos milhares na infame Batalha do Camelo, em 656. No ano seguinte, eles travaram a ainda mais sangrenta Batalha de Siffin, na qual seguidores de Ali e de Mouáia 1º, o governador de Damasco, se enfrentaram, aprofundando as divisões que se tornaram o racha entre sunitas e xiitas que persiste até hoje.

Diferente dos primeiros cristãos, que se dividiram em seitas principalmente devido a disputas teológicas em torno da natureza de Cristo, os primeiros muçulmanos se dividiram em seitas por disputas políticas sobre quem deveria governá-los.

ENTENDA O QUE OPÕE OS SUNITAS DA ARÁBIA SAUDITA E OS XIITAS DO IRÃ



É hora de desfazermos essa confluência de religião e política. Em vez de vermos essa politização da religião como sendo natural –ou mesmo, como fazem alguns muçulmanos, algo para se orgulharem– nós devemos vê-la como um problema que exige uma solução.

Essa solução deveria começar com uma mudança de paradigma a respeito do próprio conceito de “califado”. Não se trata apenas do selvagem Estado Islâmico ter sequestrado esse conceito para seus próprios fins brutais. O problema vai mais fundo: o pensamento tradicional muçulmano considera o califado como uma parte inerente do islã, politizando não intencionalmente a fé por séculos. Mas isso não foi instruído nem pelo Alcorão e nem pelo Profeta, mas sim foi um produto da experiência histórica e política da comunidade muçulmana.

Assim que o pensamento muçulmano passou a ver o califado como uma parte integral da religião, os líderes políticos e os estudiosos islâmicos construíram uma tradição política autoritária em torno dele. Contanto que o califa fosse virtuoso e cumpridor da lei, os pensadores islâmicos obrigavam os muçulmanos a obedecê-lo.

Mas essa tradição não considerou que a virtude era relativa, que o próprio poder tinha uma influência corruptora e até mesmo governantes legítimos poderiam ter oponentes legítimos.

Em meados do século 19, o Império Otomano, então a sede do califado, deu um imenso passo à frente na tradição política muçulmana ao importar as instituições e normais liberais ocidentais. Os poderes do sultão foram limitados, foi estabelecido um Parlamento eleito e foi permitido partidos políticos. Esse esforço promissor, que tornaria o califa o chefe de uma monarquia democrática ao estilo britânico, foi apenas parcialmente bem-sucedido. Ele acabou quando a Turquia republicana aboliu a própria instituição do califado depois da Primeira Guerra Mundial.

O nascimento do movimento islamita moderno foi uma reação a esse vácuo pós-califado. Os islamitas excessivamente politizados não apenas mantiveram a visão tradicional de que a religião e o Estado são inseparáveis, como também remodelaram a religião como sendo o Estado.

“A verdadeira religião não é mais que o sistema decretado por Deus para governar os assuntos da vida humana”, escreveu Sayyid Qutb, um proeminente ideólogo islamita, nos anos 1960. E como Deus nunca de fato desceu para governar os assuntos humanos, os islamitas o fariam em Seu nome.

Nem todos os pensadores islâmicos adotaram essa linha. Said Nursi, um estudioso islâmico do século 20, via a política não como um reino sagrado, mas sim como uma zona diabólica de conflito. “Eu busco refúgio em Deus de Satã e da política”, ele escreveu. Seus seguidores formaram um movimento islâmico da sociedade civil na Turquia, pedindo apenas liberdade religiosa ao Estado.

Acadêmicos muçulmanos contemporâneos como Abdelwahab El-Affendi e Abdullahi Ahmed An-Na’im articularam poderosos argumentos islâmicos para a adoção de um secularismo liberal que respeita a religião. Eles apontam que os muçulmanos precisam do secularismo para poderem praticar sua religião como consideram adequado. Eu acrescentaria que os muçulmanos também precisam do secularismo para salvar a religião de servir como escrava de guerras ímpias de dominação.

Nada disso significa que o islã, com seus valores centrais de justiça, deva ser totalmente cego à política. A religião pode exercer um papel construtivo na vida política, como quando inspira as pessoas a falarem a verdade ao poder. Mas quando o islã se funde ao poder, ou se torna um grito de guerra nas lutas pelo poder, seus valores começam a desaparecer.

*(Mustafa Akyol é o autor de “Islam Without Extremes: A Muslim Case for Liberty” –”Islã sem extremos: um argumento muçulmano a favor da liberdade”, em tradução livre, não lançado no Brasil.)

Tradutor: George El Khouri Andolfato

Mustafa Akyol*
Em Istambul (Turquia) 04/02/2016

Fonte: http://noticias.uol.com.br/

Fonte: www.brasilturquia.com.br

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