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Polícia invade escritório de rádio e TV críticos e detém funcionários

Polícia invade escritório de rádio e TV críticos e detém funcionários
outubro 05
16:27 2016

Equipes do Departamento de Polícia de Istambul na terça-feira invadiram o escritório de três, duas emissoras de TV e uma rádio, órgãos de mídia que haviam sido removidos recentemente da plataforma da Empresa de Comunicações por Satélite Turca (Turksat) devido a posição crítica deles ao governo. A polícia cortou a transmissão deles e deteve alguns de seus funcionários, reportou a mídia turca.

Equipes de polícia fizeram uma batida no escritório da TV Hayatin Sesi e da TV IMC e da rádio Ozgur, que estavam entre as 33 emissoras de TV e rádios removidas da Turksat por decreto do governo em 28 de setembro.

A TV Hayatin Sesi continuava suas transmissões a partir de seu canal no YouTube. A batida da polícia na TV Hayatin Sesi ocorreu no momento em que uma delegação da Confederação das Centrais Sindicais Progressistas (DISK) estava lá para uma visita na tarde de terça-feira. Os policiais lacraram a sala de transmissão da emissora e encerraram sua transmissão no YouTube.

Sevda Karaca, uma produtora da TV Hayatin Sesi, contou ao portal de notícias Bianet que a polícia fechou a seção em que eles coordenam as transmissões, mas que não lacraram o prédio todo, que eles compartilham com o jornal Evrensel.

Visitas de solidariedade à gente estão continuando. Estamos aqui e não vamos a lugar algum. Esses dias nos ensinam quão difícil é praticar jornalismo neste país. Estes dias passarão, lembraremos destes dias, mas as coisas que aprendemos não serão úteis para todos aqueles que tentam nos fechar”, disse Karaca.

Durante a batida da polícia na TV IMC na terça-feira, o coordenador geral de transmissão da emissora, Eyup Burc, estava fazendo uma transmissão ao vivo. Quando os policiais tentaram cortar a transmissão, Burc perguntou a eles porque combriam seus rostos.

Que o inferno dure bastante para os opressores”, disse ele

Os funcionários da emissora reagiram a tentativa de polícia de cortar a transmissão, gritando slogans como “A imprensa livre não pode ser silenciada”, “Não fique em silêncio, grite” e “Ter uma mídia livre é um direito”.

Alguns funcionários disseram que a TV IMC estava sendo fechada porque sua missão assustou o governo.

Um declaração publicada pela Rádio Ozgur também disse que seu escritório sofreu uma batida da polícia e que a polícia usou da força contra os funcionários da emissora e que deteve 20 deles.

Selahattin Demirtas, vice-presidente do Partido Democrático Popular (HDP), que é pró-curdo, rechaçou o fechamento dos órgãos de mídia, a maioria deles é pró-curda e de esquerda, na reunião do grupo parlamentar de seu partido na terça-feira.

Se os órgãos de mídia que foram fechados tivessem vendido a honra deles hoje, não a polícia mas ministros teriam ido ao escritório deles, como convidados. Eles sem vergonha alguma acusam a gente de não conseguir fazer um discurso em nossa língua materna. Então eles vão e fecham um canal infatil curdo”, disse Demirtas.

O vice-presidente do HDP visitou recentemente o Governo Regional do Curdistão (KRG) no norte do Iraque onde outro deputado do HDP atuou como seu tradutor pois ele não consegue se comunicar em curdo.

Alguns criticaram Demirtas por não conseguir falar em sua língua nativa; contudo, ele disse que não era culpa dele, mas o resultado de restrições estatais impostas sobre os curdos.

As emissoras de televisão fechadas incluem a TV Zarok, um canal para crianças.

Desde uma tentativa de golpe fracassada em 15 de julho, o governo do Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP) acirrou o cerco contra órgãos de mídia independentes e críticos.

O governo fechou dezenas de órgãos de mídia incluindo jornais, emissoras de TV, agências de notícias, revistas e estações de rádio desde a tentativa de golpe.

Um estado de emergência que o governo anunciou logo após a tentativa de golpe possibilita ao governo ignorar o Parlamento através de decretos governamentais que tem a força de lei.

A maioria dos órgãos de mídia fechados pelo governo eram afiliados com o movimento Gulen, que é baseado na fé e que é acusado pelo governo de arquitetar a tentativa de golpe, apesar de não haver evidência alguma nesse sentido.

Fonte: www.turkishminute.com

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