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Gulen, como bode expiatório do governo turco

Gulen, como bode expiatório do governo turco
setembro 09
15:39 2016

Desde que o governo da Turquia sobreviveu a uma violenta tentativa de golpe em 15 de julho, ela tem apontado o dedo para os seguidores de um clérigo idoso radicado nos EUA. Seu nome é Fethullah Gulen, e ele nega qualquer envolvimento. A Turquia está exigindo sua extradição dos EUA, onde ele vive na Pensilvânia desde o fim dos anos 90.

Gulen se mudou para os Estados Unidos em 1999, entre preocupações de que a elite secular e militar da Turquia estivesse atrás dele. Gulen se tornou um aliado próximo de Erdogan e seu partido AKP quando o partido veio ao poder, mas os dois tiveram uma briga vários anos depois.

Mas não é apenas pela tentativa de golpe do mês passado que o movimento Gulen está sendo culpado. Tudo desde atentados suicidas a desastres em minas que ocorreram já há algum tempo estão sendo colocados na conta do clérigo.

Você se lembra quando os turcos abateram um caça russo em novembro passado? Os dois pilotos envolvidos foram presos no mês passado por terem parte na tentativa de golpe. O prefeito de Ancara declarou que eles era seguidores de Gulen – e abater o caça foi culpa deles, também.

Em 2014, uma explosão em uma mina de carvão em Soma levou a um incêndio subterrâneo que matou 301 pessoas. Os proprietários foram criticados por causa das condições de segurança da mina. Mas um gerente da mina surgiu para declarar que terroristas de alguma forma estavam envolvidos – e ele especificamente culpou os gulenistas.

Mais recentemente, um horrível atentado suicida em um casamento em Gaziantep matou dezenas em agosto. A maioria dos sinais apontavam para o Estado Islâmico como culpado. O Presidente Recep Tayyip Erdogan disse que poderia ter sido o EI – mas, insistiu ele, o movimento Gulen teve sua participação na carnificina também.

Criado pela CIA”

Algumas das acusações relacionadas a Gulen vêm de anos atrás. Quando o jornalista tuco-armeno Hrant Dink foi assassinado lá em 2007, poucos acreditaram que sua morte veio apenas pelas mãos do nacionalista de 17 anos originalmente condenado pelo assassinato. Agora o caso está aberto novamente, e delegados ligados a Gulen devem passar por um julgamento por seus supostos envolvimentos.

Algumas das alegações contra o movimento Gulen encorporam temas antiamericanos, alguns deles bem extremos. A mídia turca citou um indiciamento escrito por um promotor turco que declara que o movimento Gulen foi “criado pela CIA” – da mesma forma que “a Igreja Mórmon e a Igreja da Cientologia”.

Todo dia, de fato, a público turco é exposto a um fogo cerrado de ataques anti-Gulen na mídia pró-governo. A maioria da mídia nem sequer chama mais ele de movimento Gulen. Ele é agora referido como “FETO”, que é uma sigla para “Organização Terrorista Fethullah”, e é referido comumente como “culto ao terrorismo”.

Não foram feitas pesquisas de opinião confiáveis, mas os turcos parecem preparados para aceitar que ao menos alguns seguidores de Gulen possam estar por detrás da tentativa de golpe. Sentimentos pró-Gulen foram, em sua maioria, escondidos no atual clima, conforme a Turquia permanece sob um estado de emergência. Existem vários graus de ceticismo quanto às outras alegações.

Acusações estratégicas?

Alguns turcos veem a atual retórica anti-Gulen como uma estratégia para a Turquia ganhar impulso em seu pedido de extradição junto aos EUA. Se Gulen for realmente culpado por tantos crimes assim, conforme diz essa teoria, não extraditar ele pode ser politicamente doloroso para Washington, conforme tenta manter relações suaves com um aliado chave em uma região volátil.

Gulen negou qualquer envolvimento na tentativa de golpe, e seus advogados em Washington dizem que o governo da Turquia tem um histórico de fazer alegações que não se sustentam sob um exame minucioso contra inimigos percebidos. O processo de extradição provavelmente também aumentará a qualidade da evidência apresentada contra o clérigo.

Durante a visita do Vice Presidente Joe Biden à Turquia em 24 de agosto de 2016, Erdogan reconheceu algo que as autoridades americanas vêm dizendo, mas que a maioria dos turcos não ouviu – que as muitas caixas de documentos assegurando a culpa de Gulen já enviadas a Washington nem sequer eram sobre seu suposto envolvimento no golpe. Elas eram sobre antigas alegações de irregularidade de anos atrás.

Agora os turcos estão reunindo evidências contra ele relacionadas ao golpe, após se encontrarem com um time técnico americano do Departamento de Justiça. Seja qual for que venha ser a decisão, é certo que levará um longo tempo.

Peter Kenyon

Fonte: www.npr.org

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