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Erdogan revoga licenças de 21 mil professores

Erdogan revoga licenças de 21 mil professores
julho 20
12:12 2016

Governo de Recep Tayyip Erdogan revoga licenças de 21 mil professores de escolas, demite decanos de universidades e “limpa” ministério

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, parece determinado a levar até as últimas consequências a purga após a tentativa de golpe. Depois de prender 6 mil militares, demitir 9 mil policiais e suspender 3 mil juízes, o governo anunciou a renúncia de 1.577 decanos de universidades, o afastamento temporário de 15.200 funcionários do Ministério da Educação e a revogação da licença de 21 mil professores de escolas particulares. “Nosso ministério está realizando esforços extensivos, dirigidos aos funcionários públicos nos distritos centrais e rurais que tenham conexões com Fetö.

A partir de hoje, 15.200 servidores públicos foram suspensos, e investigações foram lançadas sobre eles”, declarou o ministério, por meio de comunicado publicado nas redes sociais. Em quatro dias, mais de 50 mil pessoas foram alvos de punições. O vice-premiê Numas Kurtulmus confirmou que 9.322 militares, magistrados e policiais são alvos de procedimentos judiciais.

“Vamos bani-los de tal forma que (…) nenhum outro traidor, nenhuma organização terrorista clandestina ou grupo terrorista separatista terá a audácia de trair a Turquia”, declarou o primeiro-ministro, Binali Yildirim, em alusão ao Movimento Hizmet, do opositor exilado Fethullah Gulen (leia a entrevista). Mais cedo, em pronunciamento no parlamento, Yildirim tinha descartado um “espírito de vingança”. “Uma coisa assim é absolutamente inaceitável no Estado de direito. (…) Esta nação tira sua força do povo, não dos tanques”, frisou. Kurtulmus chegou a afirmar que não existe diferença entre os gulenistas integrantes das Forças Armadas — como chama os golpistas — e os jihadistas do Estado Islâmico. “Mas não atuaremos como este grupo. Faremos tudo dentro dos limites da lei”, prometeu.

Apoio
O presidente norte-americano, Barack Obama, falou ontem com Erdogan por telefone e ofereceu ajuda nas investigações. Ancara garante ter repassado a Washington evidências sobre o envolvimento de Gulen no movimento golpista. Durante a conversa, Obama defendeu que a apuração dos fatos contemple métodos que “fortaleçam a confiança do povo nas instituições democráticas e preservem o Estado de direito”.Em entrevista ao Correio, Mustafa Goktepe, presidente da organização não governamental Centro Cultural Brasil-Turquia (CCBT) — inspirada no Movimento Hizmet — vê as recentes decisões de Erdogan como uma “perseguição que podemos chamar de Holocausto”. “É uma ação generalizada, que começou muito antes. Tudo indica que havia um fichamento há tempos. É impossível listar mais de 50 mil pessoas em dois ou três dias”, disse.De acordo com o jornal Hurriyet, Erdogan se reunirá hoje com o gabinete e com o Conselho de Segurança Nacional, antes de divulgar uma “importante decisão”. Rumores se espalharam pelas redes sociais dando conta de que o líder turco deve anunciar a realização de referendo sobre a chamada “presidência executiva” e sobre a restauração da pena de morte.“Eu acho que o golpe ainda não acabou. Ninguém sabe o que Erdogan quer, mas ele está com medo”, afirmou ao Correio um engenheiro de 33 anos, morador de Istambul, sob condição de anonimato. “Não direi meu nome, porque Erdogan é como Hitler. Alguém poderia me matar. Eu apenas quero viver livre, como todas as pessoas. Quando Erdogan partir, isso será possível”, acrescentou. Também ontem, as autoridades removeram as concessões das redes de televisão e de rádio aliadas a Gulen.

Fonte : http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/mundo/2016/07/20/interna_mundo,540932/punicoes-por-tentativa-de-golpe-na-turquia-afetaram-mais-de-50-mil-cid.shtml

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