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Porque Erdogan quer dominar toda a mídia turca?

Porque Erdogan quer dominar toda a mídia turca?
maio 05
14:46 2016

Uma semana após o Tribunal Constitucional Turco descartou a possibilidade de que a prisão de Can Dundar e Erdem Gul, dois jornalistas proeminentes do jornal Cumhuriyet, violou seus direitos humanos básicos, um tribunal local ordenou a tomada ilegal do maior grupo de mídia da Turquia, o Feza Zaman Inc., que inclui o Jornal Zaman, o Today’s Zaman, a Agência de Notícias Cihan e a Revista Aksiyon.

O Presidente Erdogan, que encarou a decisão como um desafio ao seu poder e ambições a presidência executiva, disse que ele não respeita e nem sequer reconhece a decisão do Supremo Tribunal.

Esse desenvolvimento veio logo após as ações e observações do ex-Presidente Abdullah Gul serem consideradas como sinais do surgimento de um novo partido de centro-direita que poderia desafiar as intenções de Erdogan à presidência executiva.

Muitos acreditam que uma das razões para a decisão de Erdogan de ordenar ilegalmente a tomada do grupo de mídia Zaman era de silenciar a crescente oposição reunida ao redor de Abdullah Gul e das principais figuras do Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP), tais como Bulent Arinc, Huseyin Celik, Sadettin Ergin e Nihat Ergun, que começaram a criticar Erdogan antes da decisão do Tribunal Constitucional sobre Can Dundar e Erdem Gul.

Alguns também acreditam que Erdogan e membros de sua família podem enfrentar alguns processos legais internacionais e, no caminho para as metas da presidência executiva, Erdogan faria o seu melhor para silenciar meios de comunicação críticos no país tanto quanto possível. Os possíveis casos legais internacionais contra Erdogan e membros de sua família estão supostamente ligados à questão do comércio ilegal de petróleo com o Estado Islâmico.

Por exemplo, um promotor público italiano abriu um processo contra Bilal Erdogan, filho do Presidente Erdogan da Turquia, para investigar alegações sobre seu envolvimento em levar grandes quantidades de dinheiro para a Itália em setembro passado, que recebeu uma enorme atenção da mídia pelo mundo. Os recentes esforços da Federação Russa nas Nações Unidas quanto ao suposto envolvimento da Turquia no comércio ilegal de petróleo do Estado Islâmico trazem à mente uma possibilidade similar para Berat Albayrak, outro genro de Erdogan.

Não importa qual seja a real motivação de Erdogan para a ordem ilegal da tomada do grupo de mídia Zaman, é óbvio que Erdogan quer silenciar todas as vozes críticas. Para muitos, foi um dos dias mais escuros da história turca – e parece que não vai ser o último.

“Isso é ainda outro revés para a liberdade de imprensa e para a democracia na Turquia. Primordialmente, os países ficam mais fortes e mais estáveis quando opiniões podem ser veiculadas livremente”, contou-me o jornalista Paul Moses, ganhador do Prêmio Pulitzer.

A professora Lauhona Ganguly da The New School em Nova Iorque observa que a tomada de organizações de mídia é uma ação grosseira e vergonhosa para abalar a democracia em um país, e isso é o que estamos testemunhando, infelizmente, hoje na Turquia.

“É importante que vozes críticas floresçam em uma sociedade democrática e esse ato político um tanto quanto explícito de confiscar uma organização de mídia, mesmo se está sendo feito através dos tribunais, deve ser oposto por todos – não apenas pelas pessoas na Turquia, mas por sociedades democráticas pelo mundo todo”, disse ela.

Ganguly afirma também que “a ameaça à imprensa livre e à democracia em uma país hoje tem que impactar sobre a imprensa livre e movimentos democráticos por todo o mundo. É hora da União Europeia, em particular, emitir declarações mais fortes e ações condenando esse ato contra a liberdade de expressão pelo governo turco”.

Joyce Davis, um escritor americano bem conhecido e perito no Oriente Médio enfatiza que pessoas que amam a Turquia estão muito tristes com a tomada ilegal.

“A base de qualquer democracia é a imprensa livre. A Turquia acaba de pegar o caminho para a ditadura. Não é apenas alarmante para o povo turco, mas para o mundo todo”, disse ela.

Um dos maiores erros do Presidente Erdogan, durante todo o seu mandato, foi a ordem ilegal para tomar o controle sobre um grupo de mídia.

O Erdogan já perdeu sus elegibilidade em ser parte do mundo civilizado e democrático. A única esperança que ele tem de agora em diante é de alcançar seus objetivos de estabelecer um governo autocrático onde nenhuma fiscalização e contas seria tolerada no sistema.

Qualquer tentativa pelo Partido da Justiça e do Desenvolvimento de mudar a constituição no futuro próximo não foca em promover direitos humanos e democracia, mas as ambições de Erdogan de ser o presidente do executivo da Turquia. Ao limitar a livre expressão, e tomar cerca de 70% da mídia, Erdogan já reduziu a habilidade dos eleitores na Turquia em fazer decisões livres e informadas durante as eleições. A lei que permite ao governo regular a Internet e bloquear qualquer conteúdo é um grande revés para as liberdades civis e a democracia.

Os desenvolvimentos recentes demonstram com a censura da imprensa na Turquia foi ativada através de uma rede dispersa de poder estatal, forças comerciais e autocensura.

A Turquia ainda tem um alto número de jornalistas na prisão. Mais do que isso, a mídia sob o controle de Erdogan organiza companhas de difamação e caçadas-às-bruxas contra os oponentes de Erdogan. Além disso, jornalistas não são os únicos indivíduos que sofrem com a natureza autoritária do governo de Erdogan, mas confiáveis intelectuais e a elite dos negócios também. Muitos empresários altamente confiáveis estão presos na Turquia por sua suposta simpatia por um dos mais pacíficos movimentos sociais conhecidos como o Movimento Gulen.

Por Aydogan Vatandas

Traduzido por: Renato José Lima Trevisan

Fonte: www.huffingtonpost.com

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