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Perseguição à imprensa na Turquia deve aumentar

Perseguição à imprensa na Turquia deve aumentar
novembro 05
13:04 2015

O partido governista turco AK vai conseguir facilmente os votos necessários para mudar a Constituição e estabelecer um presidencialismo que dê amplos poderes ao atual presidente, Recep Tayyip Erdogan –e o resultado será uma perseguição ainda maior a órgãos de imprensa na Turquia.

Essa é a opinião da influente ativista de direitos humanos Istar Gozaydin, chefe do Departamento de Sociologia da Gediz University.

Para ela, a intervenção do governo nos veículos de mídia do grupo Koza-Ipek foi só o começo da perseguição. “Por enquanto, o governo está silenciando órgãos de mídia ligados a Fethullah Gülen, mas em breve qualquer jornal ou TV crítico será fechado”, disse à Folha.

O clérigo Gülen, que tem milhões de seguidores na Turquia e no mundo, é acusado por Erdogan de organizar um Estado paralelo para derrubar o governo, ao infiltrar membros de seu movimento, o Hizmet, no Judiciário e Legislativo do país.

O clérigo era aliado de Erdogan, mas romperam quando um grupo de promotores e policiais ligados ao Hizmet começou a investigar suposta corrupção no círculo íntimo de Erdogan, em 2013. Gülen vive no exílio nos EUA, mas várias empresas ligadas a ele são alvo de perseguição.

Erdogan diz que “é necessário eliminar todos os traidores do Judiciário e do Legislativo”.

O resultado da eleição de domingo, em que o AKP recuperou a maioria no Parlamento que havia perdido no pleito de junho, surpreendeu a maioria dos analistas.

“A eleição mostrou que a maioria dos turcos não liga para violações à liberdade de imprensa ou para direitos humanos; para eles, o que importa é a estabilidade”, diz Gozaydin.

Em julho, o colapso do acordo de cessar-fogo com a facção curda PKK, considerada terrorista pelo governo, abriu caminho para uma série de atentados e confrontos com a polícia. Além disso, dois ataques terroristas, em Ancara e Suruc, mataram mais de 140 pessoas.

“De alguma maneira, o AKP conseguiu convencer a maioria do eleitorado de que é o único partido que pode trazer de volta a estabilidade, ainda que seja o próprio AKP que tenha criado boa parte da atual instabilidade.”

Para Gozaydin, é correta a percepção de que a União Europeia tem evitado criticar Erdogan, pois sua prioridade é negociar a questão da onda de refugiados que chega à Europa com o governo turco.

PATRÍCIA CAMPOS MELLO

Fonte: www.folha.com.br

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