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Um teste de fogo para a liderança turca no Oriente Médio

Um teste de fogo para a liderança turca no Oriente Médio
novembro 14
16:30 2017

Recep Tayyip Erdogan tem um desafio nos próximos dias: se colocar como uma nova liderança na região mais conflituosa do planeta

Uma série de encontros agendados para os próximos dias deve testar a capacidade do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, de se colocar como uma nova liderança na região mais conflituosa do planeta, o Oriente Médio.

Erdogan chega nesta terça-feira ao Kuwait, onde vai assinar acordos bilaterais com o país. Ontem, ele viajou à Rússia e se encontrou com o presidente Vladimir Putin, com quem discutiu a guerra civil da síria e a manutenção das tropas militares no país. Durante o encontro, Erdogan afirmou que a solução para a guerra seria militar, e não pacífica.

A rodada de viagens termina na quinta-feira, no Catar, onde o presidente turco vai participar do Comitê Estratégico Turquia-Catar (em que os países irão discutir questões econômicas, estratégicas e de infraestrutura).

O périplo de Erdogan vem em um momento de renovadas tensões políticas na região. O epicentro da crise são as relações entre Arábia Saudita, Líbano e Irã. Na semana passada, o primeiro-ministro iraniano Saad Hariri, sunita, renunciou ao cargo durante uma viagem à Arábia Saudita onde está até hoje.

A inesperada renúncia realizada no país (islâmico de maioria sunita) que tem um histórico nada amigável com o Irã (também islâmico, mas de maioria xiita) causou um desconforto ainda maior com o pronunciamento do grupo fundamentalista libanês Hezbolllah, aliado antigo do Irã.

Sayyed Hassan Nasrallah, líder do grupo, acusou a Arábia Saudita de manter Hariri preso. O Líbano sofre grande influência do Irã, e é governado com o apoio “compulsório” do Hezbollah (que domina o Parlamento do país).

Na mesma semana, o governo da Arábia Saudita acusou o Iêmen (país com quem  está em conflito desde 2015) da lançar uma bomba contra seus país. A Turquia e o Kuwait condenaram o lançamento da bomba.

Numa região em que pequenos gestos passam grandes mensagens, o pedido demonstrou de que lado está o Kuwait, e consequentemente de que lado a Turquia pode estar.

Uma aliança com os sauditas pode ser estratégica para o governo turco, que se afasta da Europa e reconstrói seus acordos no Oriente. É sair de um vespeiro para pular em outro ainda maior.

Originalmente publicado em: https://exame.abril.com.br

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