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A Turquia não faz muito mais do que derramar lágrimas por Gaza

A Turquia não faz muito mais do que derramar lágrimas por Gaza
maio 06
14:52 2016

A sessão de encerramento da recente 13ª cúpula da Organização para a Cooperação Islâmica (OIC), realizada em Istambul, passou por um escândalo diplomático, iniciada pela acusação econômica do anfitrião. O proverbial sapato estaria em breve, contudo, em outro pé.

O presidente turco Recep Tayyip Erdogan, presidindo a cúpula em 15 de abril, fez referência aos amplamente discutidos problemas financeiros da OIC como causa da passividade e ineficácia da organização. Ele continuou declarando que a Turquia doaria 2 milhões de dólares para ajudar a fazer a OIC a organização influente como sugere o seu nome. Erdogan então começou a ler os nomes dos estados membros que não tinham feito suas contribuições. Mas o Ministros das Finanças da Arábia Saudita Ibrahim Abdulaziz al-Assaf afirmou que “Tais questões são resolvidas dentro da organização. Não é apropriado expor os países que não fizeram suas contribuições”.

Por coincidência, assim como Erdogan revelou estados membros da OIC inadimplentes, o Banco Mundial em um relatório de 19 de abril expôs a Turquia para o mundo como um dos países que não tinham cumprido seus compromissos em ajudar com a reconstrução e o desenvolvimento de Gaza depois do intenso bombardeio de Israel em julho de 2014. Erdogan e seu governo do Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP), que frequentemente invocam a questão palestina e a difícil situação de Gaza para vantagem política doméstica, ficaram envergonhados pela revelação.

Desde 2013, Erdogan tem expressado sua intenção de visitar Gaza, mas ele não conseguiu fazer isso devido a tenções nas relações Israel-Turquia. Karel Valansi, que escreve sobre relações exteriores para o jornal em hebraico Shalom, de Istambul, observou que Erdogan só poderia ir a Gaza “apenas com o conhecimento e aprovação de Israel, mas isso provavelmente não aconteceria tão cedo”. Valansi também apontou que Erdogan não poderia ir a Gaza através do Egito por causa de problemas entre Ancara e Cairo e, portanto, teria que viajar através de Israel. É claro, caberia ao governo israelense aprovar qualquer viagem do tipo.

Uma conferência de doadores para a reconstrução de Gaza tinha sido realizada em outubro de 2014 no Cairo. Cerca de 50 países concordaram em montar um fundo para concertar a infraestrutura de Gaza e reconstruir casas, escolas e outros lugares destruídos. A Turquia se comprometeu a dar 200 milhões de dólares para o fundo, que registou 3,5 bilhões em promessas.

O Banco Mundial regularmente lança estimativas sobre a taxa de compromissos pagos, e seu relatório datado de 19 de abril de 2016, cobrindo o período que termina em 31 de março, observou que apenas 40% dos 3,5 bilhões foi entregue. A Turquia pagou 64 milhões de dólares, ou 32% de seus prometidos 200 milhões, enquanto que a Arábia Saudita, que prometeu 500 milhões, até agora desembolsou apenas 51 milhões.

O Catar fez o maior compromisso, de 1 bilhão de dólares, mas apenas pagou 152 milhões até agora. Os Emirados Árabes Unidos prometeram 200 milhões e forneceu 29 milhões. O Kuwait, que prometeu 200 milhões, ainda não pagou um dólar sequer que prometeu. Enquanto isso, os Estados Unidos, Holanda, Canada, Dinamarca, Finlândia, Áustria, Austrália, Rússia, Índia, França e Algéria já pagaram completamente o que prometeram, e a Suécia deu mais do que havia prometido.

O relatório do Banco Mundial revela que a maioria dos países que não cumpriram suas promessas são, estranhamente, países muçulmanos, incluindo, como citado, os Estado do Golfo ricos em petróleo. O banco a partir de então apelou a esses países, incluindo a Turquia, para que mantivessem suas promessas. De acordo com o relatório, apenas 9% das casas destruídas foram reconstruídas, e 75.000 residentes de Gaza permanecem sem casa.

O Presidente Erdogan e o Primeiro-Ministro Ahmet Davutoglu frequentemente fazem referência em suas companhas eleitorais à assistência que Ancara provê a Gaza e outros apoios aos Palestinos. As pessoas lembram como Davutoglu, em resposta ao principal líder da oposição Kemal Kilicdaroglu, que tinha pedido a melhora das relações com Israel, tinha dito em 2015, “Vocês não sabem sobre a flotilha de Mavi Marmara, das crianças massacradas em Gaza. Não podemos ser amigos com aqueles [soldados israelenses] que entraram na Mesquita de Al-Aqsa sem tirar suas botas”.

Existe também o Ministro das Relações Exteriores Mevlut Cavusoglu, que em uma entrevista na TV em 9 de abril assegurou: “Até agora, prestamos muita assistência a Gaza e à Palestina, totalizando cerca de 500 milhões. Na conferência de doadores do Cairo, prometemos mais 200 milhões. Dando uma olhada nos projetos que temos em mãos, ficaremos acima dessa quantia”.

Infelizmente, o relatório do Banco Mundial expôs que as observações do Ministros das Relações Exteriores não refletem a situação atual. Suas palavras não são reforçadas por suas ações.

Tradução de: Renato José Lima Trevisan

Fonte: http://www.al-monitor.com/

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