Últimas notícias
  • Mais dois navios com grãos partem da Ucrânia, diz o Ministério da Defesa da Turquia  Mais dois navios transportando grãos que saíram dos portos do Mar Negro da Ucrânia no sábado, disse o Ministério da Defesa da Turquia, elevando para 16 o número total de navios a sair do país sob um acordo entre a ONU e a Turquia. ...
  • [ANÁLISE] Erdoğan aumenta o domínio sobre as TSK para facilitar a colaboração com regimes autoritários  O mundo está evoluindo de uma ordem mundial unipolar dominada por um único poder para um sistema político multipolar no qual mais de um poder luta pelo domínio. Na atual luta de grandes potências, o presidente turco Recep Tayyip Erdoğan acredita que pode manter seu poder político aliando-se à Rússia, China e Irã. Após sua reunião bilateral com o presidente russo Vladimir Putin em Sochi em 5 de agosto, Erdoğan disse aos repórteres que Putin o havia convidado para uma reunião da Organização de Cooperação de Xangai (SCO) a ser realizada no Uzbequistão de 16 a 18 de setembro de 2022. Como o Erdoğan explica que, como presidente de um país membro da OTAN, ele possa participar de uma reunião da SCO, que reúne regimes autoritários? Qual é a conexão entre a estreita cooperação do Erdoğan com os regimes autoritários e os regulamentos que levaram ao domínio do Erdoğan sobre as Forças Armadas Turcas (TSK) após uma tentativa de golpe na Turquia em 15 de julho de 2016? ...
  • “Eles estão nos matando”: Migrantes presos em uma pequena ilha pedem ajuda A organização AGreek de direitos humanos tem chamado as autoridades para ajudar dezenas de migrantes e requerentes de asilo que dizem ter ficado presos em uma pequena ilha fluvial na fronteira entre a Grécia e a Turquia. O Conselho Grego de Refugiados disse à CBS News que o contato com o grupo foi perdido na quarta-feira depois que uma jovem entre o povo desesperado foi alegadamente morta por um escorpião esta semana. ...
  • Envolvimento da Turquia com o Afeganistão cresceu desde a tomada do Talibã Enquanto muitos países cortaram os laços diplomáticos com o Afeganistão após o retorno do Talibã ao poder no ano passado, a Turquia, o único membro da OTAN com presença diplomática no país devastado pela guerra, tem sido ativa em muitas frentes. ...
  • Menino britânico, quatro anos, desaparece depois de viajar para a Turquia com sua mãe  Um menino britânico de quatro anos foi dado como desaparecido após viajar para a Turquia com sua mãe. Acredita-se que George Jack Temperley-Wells tenha viajado de Darlington para a região de Antalya com sua mãe, Brogan Elizabeth Temperley, em 29 de junho deste ano. ...
  • 69,3% dos turcos que lutam para pagar por alimentos, diz pesquisa A maioria das pessoas na Turquia está lutando para pagar pelos alimentos, uma vez que o aumento do custo de vida está afetando sua renda, informou a Turkish Minute, citando os resultados de uma pesquisa realizada pelo Centro de Pesquisa Social Yöneylem. ...
  • Turquia acatou a sentença do TEDH sobre Kavala, argumenta o ministro da justiça Ao contrário do que o Tribunal Europeu de Direitos Humanos (TEDH) disse em um julgamento no mês passado, o ministro da justiça da Turquia, Bekir Bozdağ, argumentou que os tribunais...
  • Navio com grãos ucranianos recusados pelo Líbano atraca na Turquia Um navio com milho ucraniano, anteriormente rejeitado por um comprador no Líbano devido a "violação das condições de entrega" atracou no porto de Mersin, na Turquia. ...
  • Bancos turcos adotando o sistema de pagamentos russo Cinco bancos turcos assumiram o sistema de pagamentos russo conhecido como Mir, disse no sábado o presidente turco Recep Tayyip Erdoğan, após suas conversas com o presidente Vladimir Putin no resort do Mar Negro de Sochi.  ...
  • Putin tem a chave para a reeleição de Erdoğan, diz o analista russo O contínuo apoio político e financeiro do presidente russo Vladimir Putin é necessário para que o presidente turco Recep Tayyip Erdoğan ganhe a reeleição no próximo ano, disse um importante analista russo na segunda-feira, refletindo sobre uma reunião entre eles em Sochi, Rússia, que gerou alarme nas capitais ocidentais. ...

Cemitério na Turquia abre seção para refugiados que morreram afogados

Cemitério na Turquia abre seção para refugiados que morreram afogados
abril 12
16:26 2016
 
Há seis meses, o cemitério turco Dogancay inaugurou uma seção especial para abrigar os refugiados que morrem afogados tentando chegar até a Grécia. Já são 530 refugiados enterrados no Dogancay. Quase metade são crianças. Em 130 dos túmulos, há só uma plaquinha com um número e um cravo vermelho. São mortos desconhecidos: não foi possível identificá-los e não apareceu nenhum parente para reclamar o corpo.”Todos os dias chega mais um; são famílias inteiras que morrem no mar”, diz o imã Ahmet Altan, enquanto aponta para os túmulos 41.622, 41.997 e 42.185, na área reservada a crianças com menos de dois anos.

Mesmo com o aperto na fiscalização da Otan (aliança militar do Ocidente) no mar Egeu e o acordo entre União Europeia e Turquia, que passa a valer neste domingo (20), famílias de refugiados não desistem de pegar o bote rumo ao “paraíso” europeu.

Flavio Forner/Folhapress
O imã Ahmet Altan no cemitério da cidade turca de Dogancay, que recebe refugiados que morrem na travessia do mar EgeuFlavio Forner/Folhapress
O imã Ahmet Altan no cemitério de Dogancay, que recebe refugiados que morreram no mar Egeu

Neste ano, até 17 de março, 144.899 chegaram à Grécia vindos da Turquia, sendo que outros 362 morreram no mar, segundo a Organização Internacional de Migrações. A grande maioria eram sírios, afegãos e iraquianos. No mesmo período do ano passado, 10.535 fizeram a travessia.

Em todo o ano passado, 853.650 refugiados chegaram à Grécia; 3.771 morreram afogados tentando cruzar.

CENTRO DO TRÁFICO

Esmirna é o centro do tráfico de refugiados para a Grécia. As famílias vêm da Síria, do Iraque e do Afeganistão, fugindo da guerra.

Todas as noites, os coiotes ficam na frente da mesquita no bairro de Basmane e saem com famílias carregando suas roupas e pertences em sacos plásticos pretos e o dinheiro e os celulares dentro de bexigas, que amarram no braço.

De lá, os refugiados são transportados em vans até cidades na costa como Ayvalik, Bodrum e Cesme, de onde pegam o bote até ilhas gregas como Lesbos.

Esse foi o trajeto do menino sírio Alan Kurdi, 3, que se afogou com a mãe e o irmão em setembro de 2015. A foto de Kurdi morto em uma praia atraiu a atenção mundial para o drama dos refugiados.

Flavio Forner/Folhapress
Cemitério na cidade turca de Dogancay, que recebe refugiados que morrem na travessia do mar Egeu
Cemitério na cidade turca de Dogancay, que recebe refugiados que morreram na travessia do mar Egeu

O hotel Hekimoglu, no bairro de Basmane, está lotado de refugiados há quatro anos. “As pessoas ficam aqui de um dia a um mês, dependendo de quanto tempo demora para sair o bote”, conta Ali
Hekimoglu, dono do hotel, que é na realidade uma pensão caindo aos pedaços.

Os quartos abrigam até dez pessoas –cada uma paga 15 liras turcas (US$ 5) por noite. Segundo Hekimoglu, por causa das patrulhas no Egeu e do frio, o movimento caiu no último mês –mas só 5%.

“As pessoas estão desesperadas, não vão desistir”, diz. “Muitos saem daqui para pegar o bote, voltam uns dias depois contando que o barco afundou e os amigos morreram; aí tentam de novo.”

Em um dos quartos do hotel, espreme-se uma família de oito pessoas há mais de uma semana. São iraquianos da minoria yazidi, da região de Sinjar. Eles escaparam de um massacre do Estado Islâmico (EI). Escondidos, sobreviveram comendo folhas de árvores durante dias.

“Queremos ir a qualquer país longe do EI”, diz o agricultor Wahid Sidi, 36. Ele precisa de US$ 3.000 para levar à Grécia a família toda: sua mulher e mais seis filhos, de 1, 7, 9, 11, 13 e 15 anos. Já juntou pouco mais de US$ 2 mil, com ajuda de parentes que estão na Europa.

Flavio Forner/Folhapress
O agricultor iraniano Wahid Sidi com sua família em Esmirna
O agricultor iraniano Wahid Sidi com sua família em Esmirna

“Prefiro morrer no mar a morrer com o EI”, dizia, enquanto seu vizinho de quarto mostrava no celular uma foto do primo morto afogado.

A família não tem dinheiro para comprar coletes salva-vidas, diz Sidi. Não que isso seja alguma garantia.

Em janeiro, foram apreendidos 1.200 coletes defeituosos em uma fábrica em Esmirna –em vez de flutuar, ficavam mais pesados na água.

Nas lojas do centro da cidade, apesar da fiscalização, vendem-se coletes por 70 LT (US$ 25) o infantil e 100 LT (US$ 35) o adulto. Nos vendedores ambulantes, eles são bem mais baratos.

Mehmet, que não quis revelar o sobrenome, vende dez por dia, a 30 LT cada (US$ 10). “Os europeus é que estão matando essas pessoas, não são os coletes que são falsos”, diz.

ACORDO

A partir deste domingo (20), a Turquia passará a receber de volta todos os refugiados que forem pegos cruzando o Egeu rumo à Grécia.

Em contrapartida, a UE terá de respeitar a regra do “um por um”: a cada refugiado sírio que retornar à Turquia, um outro que já estiver em acampamentos turcos será reassentado em algum país do bloco. Mas haverá um limite de 72 mil reassentados.

O problema é que há na Turquia quase 3 milhões de refugiados. E, segundo a Agência de Resposta a Desastres e Emergências da Turquia, há lugar para apenas 300 mil, em 26 campos no país.

“É um absurdo a Turquia pegar de volta essa gente, ninguém sabe onde vão colocá-los”, diz Hekimoglu.

Muitos nem têm a opção de ficar. O sírio Ali Mohammed, 21, foi atingido por uma bomba em Deir ez-Zor, no leste da Síria. Sofreu uma lesão grave na coluna, por isso não sente nada nas pernas e precisa usar sonda urinária.

Os hospitais na Turquia dizem que não têm como tratá-lo. Ele e o pai vão pegar um bote. O plano é ir para a Alemanha, onde têm familiares.

MÁRTIRES

Quando a guarda-costeira resgata os corpos no mar, leva-os para o necrotério, onde ficam por 15 dias.

Se não aparecer nenhum familiar, é realizado um exame de DNA. Aí o corpo é preparado de acordo com o ritual islâmico –fazem a ablução, embrulham no pano branco dos pés à cabeça, e enterram sem caixão. Muitas vezes o imã Altan é o único presente.

“No islã, todos aqueles que morrem na guerra, no parto, afogados, em incêndios ou terremotos são considerados mártires”, diz o imã.

“Estes refugiados são mártires duas vezes –estavam na guerra defendendo seu país e depois morreram afogados. Vão direto para o paraíso.”

PATRÍCIA CAMPOS MELLO

ENVIADA ESPECIAL A ESMIRNA, TURQUIA

Fonte: folha.uol.com.br

Artigos relacionados

0 Comentários

Nenhum comentário ainda!

Não há comentários no momento, gostaria de adicionar um?

Escreva um comentário

Escreva um comentário

Deixe uma resposta

Mailer