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Mortes no Mediterrâneo aumentam em 34%

Mortes no Mediterrâneo aumentam em 34%
maio 31
10:22 2016

As mortes no mar Mediterrâneo aumentaram em 34% em comparação a 2015 e somam 2,4 mil vítimas apenas nos primeiros cinco meses do ano. Os dados foram publicados nesta terça-feira, 31, pela ONU e, se o ritmo de mortes continuar, 2016 deverá bater o recorde do ano anterior, quando um total de 3,7 mil pessoas morreram tentando cruzar o mar.

A ONU indicou que reavaliou seus dados e que pelo menos 880 estrangeiros morreram até domingo, em apenas cinco dias. No fim de semana, a previsão era de 700 mortos. Na avaliação da entidade, o comportamento da União Europeia é “vergonhoso” ao demorar para implementar acordos para repartir os refugiados pelo continente e, assim, reduzir a pressão sobre Grécia e Itália.

Em comparação aos números de 2015, a entidade insiste que o salto é “dramático”. “Foram 2,5 mil mortes em 2016, contra 1,8 mil no mesmo período de 2015. O ano tem sido especialmente mortal”, disse William Spindler, porta-voz do Alto Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur).

Segundo a Organização Internacional de Migrações (OIM), os locais de mortes, porém, mudou. Se em 2015 mais de 400 imigrantes e refugiados não sobreviveram à rota entre a Turquia e as ilhas gregas, agora sofrem no caminho entre Líbia e Itália. “A rota italiana é dramaticamente mais perigosa que a rota entre Grécia e Turquia”, disse Spindler. Segundo a ONU, um a cada 23 estrangeiros morrem no caminho antes de chegar à Europa.

Uma das explicações de Spindler para o salto é a atitude dos grupos criminosos que usam as rotas. “Há uma tendência cada vez maior de maximizar os lucros antes do período do Ramadã”, disse. Uma das novas práticas é o uso de dois barcos em cada viagem, um com motor e outro sendo puxado por cordas.

Sobreviventes contam que foram mantidos como escravos sexuais na Líbia antes de embarcar para a Europa

Joel Millman, porta-voz da OIM, relata que esses grupos criminosos têm sequestrado pessoas na Líbia e exigem que os parentes paguem para que eles sejam liberados. Sob controle das milícias, as mulheres são alvos de estupros por parte dos criminosos e algumas são mantidas como escravas sexuais.

“Uma vez soltos, são obrigados a embarcar em barcos que não têm condições sequer de flutuar”, disse.

“Assim que os barcos saem ao mar, eles emitem um alerta para que sejam socorridos e é uma corrida contra o tempo para chegar antes das mortes”, explicou Spindler.

Para ele, a promessa da União Europeia de focar seu trabalho em acabar com os grupos criminosos “não vai funcionar se os imigrantes e refugiados não tiverem alternativas”. “Hoje, não existem caminhos legais para aqueles mais vulneráveis”, indicou.

Outro problema é o caos político que vive a Líbia, o que impede que a Europa ou mesmo a ONU possa ter um parceiro com quem dialogar.

Para a ONU, 14 mil pessoas foram resgatadas pelo mar por barcos italianos. No total, o ano já registrou 204 mil entradas de estrangeiros entre janeiro e o final de maio na Europa.

“A situação é caótica”, disse o porta-voz da Organização das Nações Unidas, Federico Fossi

700 refugiados e imigrantes podem ter morrido nos últimos dias, tentando chegar até a Europa. Os dados foram anunciados neste domingo pelo Alto Comissariado da ONU para Refugiados, alertando que desde o fechamento da rota entre a Turquia e a Grécia, o número de pessoas tentando sua sorte via Líbia e Itália aumentou. Com dias de temporais pela Europa, o resultado foi o naufrágio de diversas embarcações.

A crise migratória europeia ganhou um novo capítulo depois que Bruxelas e o governo da Turquia assinaram um acordo para frear o fluxo de estrangeiros entrando no bloco europeu. Mas os problemas não desapareceram. Segundo a ONU, naufrágios foram registrados na quarta, quinta e sexta-feira.

“A situação é caótica”, disse o porta-voz da ONU, Federico Fossi. “Não temos certeza sobre os números, mas acreditamos que cerca de 700 pessoas tenham morrido”, disse. “Nunca saberemos o número exato e nem a identidade dessas pessoas”, lamentou Carlotta Sami, porta-voz do Alto Comissariado da ONU.

Mas, para a entidade Médicos Sem Fronteira, o número de mortes pode ter chegado a 900.

A primavera no hemisfério norte havia dado um novo impulso à onda de pessoas tentando cruzar o Mar Mediterrâneo, principalmente em embarcações precárias e organizadas por grupos criminosos a partir da Líbia.

Na quarta-feira, cerca de cem pessoas morreram, contra mais de 550 no dia seguinte depois que um barco saindo do porto de Sabratha naufragou. Na sexta-feira, outra embarcação com 135 pessoas também saindo da Líbia não chegou a seu destino. Dessa, 45 pessoas foram resgatadas com vida.

O fluxo de barcos também tem exigido uma maior operação por parte da marinha italiana, depois que o país voltou a ser a principal rota para entrar na Europa. Apenas no sábado, 600 pessoas foram resgatadas de barcos à deriva. Em apenas uma semana, a frota europeia pelo mar socorreu pelo menos 13 mil imigrantes e refugiados, um dos maiores números já registrado.

Jamil Chade, correspondente / Genebra – O Estado de S. Paulo

Fonte: www.estadao.com.br

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