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Gulen: A tentativa de golpe foi um cenário terrível construído por Erdogan

Gulen: A tentativa de golpe foi um cenário terrível construído por Erdogan
julho 07
12:23 2017

Fethullah Gulen, erudito islâmico turco, que tem vivido em exílio autoimposto na Pensilvânia desde 1999, disse que uma tentativa de golpe na Turquia em 15 de julho de 2016 foi um “cenário hediondo e terrível construído pelo presidente turco Recep Tayyip Erdogan e seus comparsas”, informou o Stockholm Center for Freedom (SCF).

Gulen, que inspirou o Movimento Hizmet, que foi acusado por Erdogan de arquitetar a tentativa de golpe, afirmou em uma entrevista exclusiva com o SCF que “a tentativa foi feita para se buscar uma caça às bruxas sem precedentes contra Movimento”.

“Ele [Gulen] deixou claro que se qualquer um que fosse simpatizante do Movimento Hizmet fizesse parte desse ato hediondo, essa pessoa trairia os próprios ideais do Movimento”, disse o SCF em um relatório detalhado intitulado “15 de julho: o Golpe de Erdogan” publicado ontem.

“Gulen reiterou seu pedido por uma comissão internacional para investigar minuciosamente o golpe, uma oferta que [Erdogan] não veio a responder”, observou o SCF.

“A tentativa de golpe fracassada do ano passado na Turquia não foi nada além de uma bandeira falsa orquestrada por Erdogan, o presidente autocrático da Turquia, e seus capangas para criarem um pretexto para a perseguição em massa de críticos e oponentes em um estado de emergência perpétua”, concluiu o SCF.

“Baseando-se em dados disponíveis publicamente, os indiciamentos do golpe, [testemunhos no tribunal], entrevistas privadas, avaliações de opiniões de peritos militares e outras evidências coletadas por pesquisadores, o SCF está bem confiante de que essa tentativa nem sequer se qualifica como uma tentativa de golpe em qualquer sentido de uma mobilização militar, que foi excepcionalmente limitada em número, confinada a algumas cidades, mal dirigida e desafiou as práticas estabelecidas, a tradição, as regras de enfrentamento e o procedimento padrão de operação nas forças armadas turcas”.

“A tentativa foi uma continuação de uma série de bandeiras falsas que foram descobertas nos últimos dois anos, realizadas sob o governo autoritário do regime de Erdogan, e essa foi certamente a mais sangrenta”, disse Abdullah Bozkurt, o presidente do SCF.

“Erdogan parece ter se utilizado de rumores de golpe circulados amplamente na capital turca e ter encenado seu próprio show para se apropriar desses rumores e preparar sua oposição para ser perseguida”, acrescentou ele”.

Algumas das descobertas do detalhado relatório com 191 páginas do SCF são como se segue:

“Uma enorme lacuna emergiu entre os fatos e a narrativa do governo sobre a tentativa de golpe apesar dos esforços intensos do regime de Erdogan na forma de censura, propaganda, pressão, ameaças e até tortura e maus-tratos. Os depoimentos dos réus e as evidências que foram descobertas até agora reforçaram ainda mais a opinião de que a tentativa de golpe foi nada mais do que uma armação”.

“Os relatos públicos conflitantes de Erdogan a respeito da cadeia de eventos no dia do golpe, suas lembranças que diferem até dos indiciamentos emitidos por um judiciário que é rigidamente controlado por seu regime, as medidas antidemocráticas tomadas logo depois de 15 de julho, o fechamento de milhares de instituições e a prisão de dezenas de milhares de civis projetam uma grande sombra sobre os eventos de 15 de julho”.

“O fato de o chefe do serviço de inteligência turco (MIT), Hakan Fidan, ter sido alertado sobre o golpe com antecedência, de acordo com suas próprias declarações por escrito enviadas ao Parlamento, e não ter informado ao Primeiro-Ministro nem ao Presidente, fortaleceu a alegação que a tentativa de golpe foi totalmente encenada. Não há explicação para o porquê os oficiais que são, primeiro e antes de tudo, responsáveis por descobrir, impedir e parar a tentativa de golpe contra o governo eleito permaneceram inalcançáveis no dia do golpe e o porquê eles seguiram a rotina diária mas depois de ficarem sabendo da tentativa”.

“Contra o pano de fundo da falta de depoimento de Hakan Fidan, o chefe de inteligência, tanto como um suspeito ou testemunha em alguma investigação judicial sobre a tentativa de golpe, seu não comparecimento na Comissão Parlamentar da Investigação do Golpe para um depoimento, e o próprio fato de que ele manteve seu emprego, Erdogan de fato espera que todos acreditem em sua narrativa construída sobre a tentativa de golpe sem sequer questionarem e investigarem qualquer coisa significativa”.

“O fato de o chefe da inteligência, Hakan Fidan, ter se reunido com os mais altos militares por horas um dia antes do golpe e também no dia do golpe, sua ida ao quartel general do Estado Maior apesar do suposto alerta de ele seria descartado e detido por militares, sua saída do quartel general dos militares sem aborrecimentos, e o incio da tentativa de golpe logo depois de sua partida não foram explicados e justificados até o presente dia”.

“Também é importante observar que o Chefe de Estado-Maior, Hulusi Akar, fez declarações conflitantes. Depoimentos de testemunhas e réus não confirmam o relato fornecido por Akar. Os peritos militares que o SCF consultou ao preparar este relatório ressaltaram claramente que a tentativa de golpe, alertada com antecedência, poderia ter sido facilmente interrompida e impedida através de medidas simples e rápidas. No entanto, Akar não ter lançado mão de tais medidas preventivas provoca suspeitas profundas sobre os eventos de 15 de julho.

“É altamente incomum e estranho para altos comandantes das forças armadas terem continuado com suas rotinas normais, até indo a casamentos nas horas em que haviam informações da inteligência alarmantes e críveis sobre uma tentativa de golpe foram recebidas. Isso é contra as tradições, práticas e regras estabelecidas dos procedimentos de operação nas forças armadas turcas.

De acordo com o relato oficial, 8.651 oficiais fizeram parte do golpe, correspondendo a 1,5 por cento do total do pessoal militar no Exército Turco. Desses, 1.761 eram recrutas privados, 1.214 eram alunos das forças armadas e 5.761 eram oficiais e oficiais não-comissionados. Mas até esses números não refletem a real mobilização que foi vista no local durante a tentativa de golpe. Dado o fato de que 168 generais e milhares de oficiais estão no momento sendo julgados por acusações de golpe, os peritos das forças armadas acham estranho que um número tão insignificante de tropas participaram na tentativa de golpe. É estimado que haja 200.000 tropas sob o comando desses generais que são acusados da tentativa.

“Os estranhos eventos, tais como fechar a Ponte do Bósforo para o tráfico apenas em um sentido, atingir alvos que não serviram nada para os objetivos dos golpistas, poupar políticos que deveriam ter sido os principais alvos, matar civis, tentar tomar instituições usando-se apenas um punhado de tropas, não foram explicados. A mobilização limitada de recursos das forças armadas ficou confinada a algumas cidades e as equipes que deveriam deter Erdogan foram até seu hotel horas depois de sua partida. Todos esses eventos que não fazem sentido parecem estar sugerindo que foram encenados para passarem uma imagem e fornecerem vídeos e fotos para o golpe”.

“Mesmo depois de um ano todo, o governo turco não conseguiu apresentar alguma evidência sólida e convincente que prove que o Movimento Hizmet (popularmente conhecido como o Movimento Gulen) esteja por detrás da tentativa de golpe, tanto como os que o arquitetaram ou como participantes. Os depoimentos forçados e fabricados aparentemente feitos sob tortura pesada em custódia foram mais tarde refutados pelos réus quando apareceram no tribunal para as audiências de julgamento”.

“Conforme várias pesquisas que foram publicadas ou relatadas por instituições internacionais revelaram, oficiais que são acusados de fazerem a tentativa de golpe possuem ideologias e históricos variados. Na maioria dos casos, as tropas foram mobilizadas por causa de ameaças de terrorismo iminente ou como parte de um exercício militar, demonstraram as declarações dos réus no tribunal”.

“Fethullah Gulen, que inspirou o Movimento Hizmet que foi acusado de tentativa de golpe por Erdogan, declarou que uma entrevista exclusiva com o SCF que a tentativa de golpe foi um “terrível e hediondo cenário construído por Erdogan e seus comparsas”. Ele disse que o golpe foi feito para buscar uma caça às bruxas sem precedentes contra o Movimento Hizmet. Ele deixou claro que se qualquer um que simpatizasse com o Movimento Hizmet participasse nesse ato hediondo, que essa pessoa teria traído os próprios ideais do movimento. Gulen reiterou seu pedido por uma comissão internacional para investigar profundamente o golpe, uma oferta que Erdogan não veio a responder”.

“A incerteza por detrás das investigações balísticas sobre as armas usadas no assassinato de civis e tropas ainda se arrasta. Os grupos paramilitares que participaram dos confrontos, e que mais tarde apareceram em vários vídeos feitos na noite do golpe não foram identificados e como eles estavam organizados e mobilizados permanece um mistério. Houve também relatos que a polícia turca distribuiu armas e alto calibre para civis na noite do golpe”.

“A Turquia não é mais um país governado pelo estado de direito e por princípios democráticos. Ela é agora um estado governado pelos decretos do governo, sob um estado de emergência constante. O judiciário está sob o completo controle do governo, a liberdade de imprensa e expressão estão em suspensão, o parlamento não está funcionando mais e polítocos de oposição estão atrás das grades”.

“Mais de 150.000 funcionários públicos foram dispensados de suas posições na base de suas opiniões críticas sem investigações administrativas e judiciais de fato. Os expurgos nas forças armadas, judiciário, serviços externos e aparato de segurança alcançaram níveis alarmantes. 51.889 pessoas foram coletadas atrás das grades, sem evidências, um julgamento e condenação, em sua maioria donas de casa, professores, estudantes, médicos, comerciantes, jornalistas que estavam afiliados ao Movimento Hizmet”.

Fonte: www.turkishminute.com

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