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Novo editor-chefe do jornal Zaman

Novo editor-chefe do jornal Zaman
março 31
12:41 2016

Kenan Kiran, diretor da redação de um jornal convictamente pró-governo, o Yeni Akit, foi nomeado como o novo editor-chefe do jornal turco Zaman, que foi o folhetim mais vendido na Turquia até ter sido confiscado em uma operação apoiada pelo governo em 4 de março deste ano.

Depois que a notícia estourou nas redes sociais, Kiran se apresentou com o “editor-chefe do jornal Zaman” na biografia do seu Twitter nesta quarta-feira.

Em uma mensagem no Twitter logo após sua nomeação, Kiran escreveu: “Haverá uma cobertura especial sobre a Organização Terrorista Fethullahista/Estrutura de Estado Paralelo no Zaman. Os fatos serão compreendidos no ‘Zaman’,” referindo-se ao significado em turco da palavra Zaman: tempo.

O Yeni Akit é um jornal diário notório por seu discurso xenofóbico e antissemita.

A polícia invadiu a sede do jornal Zaman e usou gás de pimenta contra milhares de leitores em 4 de março deste ano depois que um tribunal de Istambul nomeou administradores para assumir a gerência do Grupo de Mídia Feza, que inclui o jornal Zaman, e também o jornal Today’s Zaman e a agência de notícias Cihan, dando um novo golpe a já maltratada liberdade de imprensa na Turquia.

A decisão foi promulgada pelo 6º Tribunal Criminal de Paz de Istambul sob o pedido do Gabinete do Supremo Promotor Público de Istambul, alegando que o grupo de mídia agia sob ordens do que é chamado de a “Organização Terrorista Fethullahista/Estrutura de Estado Paralelo,” dizendo que eles louvam o grupo e ajudando-o a alcançar seus objetivos em suas publicações.

O promotor também alegou que o assim chamado grupo terrorista está cooperando com o Partido dos Trabalhadores Curdos (PKK), considerado uma organização terrorista, para derrubar o governo turco e que funcionários de nível elevado dos dois grupos tiveram reuniões no exterior.

Administradores nomeados pelo governo assumiram a direção do grupo de mídia e imediatamente mudaram sua posição editorial de crítica para pró-governo. Os administradores também imediatamente despediram o editor-chefe do jornal, Abdülhamit Bilici.

A tomada do grupo de mídia, que atraiu condenação pelo mundo todo por ser ainda mais um golpe na liberdade de imprensa, veio como parte da guerra incessante do Presidente Recep Tayyip Erdogan contra o Movimento Gülen, que é baseado na fé.

Erdogan lançou uma guerra contra o movimento logo após a publicação de uma investigação de corrupção no fim de 2013 na qual o círculo interno de Erdogan foi envolvido. Erdogan acusa o movimento de arquitetar a investigação para derrubar seu governo e estabelecer uma “estrutura paralela” dentro do estado. Contudo, o movimento, inspirado pelo intelectual turco-islâmico que mora nos EUA, Fethullah Gülen, nega fortemente a alegação.

Erdogan também se refere ao movimento como uma organização terrorista apesar de não existir ordem judicial na Turquia reconhecendo o movimento como tal.

Traduzido por: Renato José Lima Trevisan

Fonte: www.turkishminute.com

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