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A família Erdogan controla as finanças e a economia na Turquia (Parte 1)

A família Erdogan controla as finanças e a economia na Turquia (Parte 1)
novembro 18
15:45 2016

As decisões de política econômica e financeira na Turquia são feitas pelo multibilionário e corrupto Presidente Recep Tayyip Erdogan e os membros de sua família, que usam instituições públicas como veículos para maximizar lucros e colher milhões de dólares de transações, contratos e propostas através de benfeitores do regime.

Para esse fim, a família Erdogan se utiliza de capangas políticos corruptos que são colocados em posições chave no gerenciamento financeiro e econômico do governo turco depois de provarem seu valor através do trabalho nas operações ilícitas e ilegais de seu patrono. Eles são mais tarde ligados a parceiros comerciais que pagam à família real com propinas sobre comissões e outras vantagens. O resultado é que simplesmente não é mais possível conduzir operações comerciais normais na Turquia sem fazer reembolsos significantes aos membros da família de Erdogan e seus associados.

Tanto o Irã quanto a Arábia Saudita usaram essa fraqueza da parte de Erdogan para se infiltrarem no governo turco, influenciar as decisões de política externa, manipular instituições públicas e criar cobertura para seus agentes que aparentemente quebraram várias leis turcas e atuaram contra os interesses dos amigos de longa data da Turquia na aliança transatlântica. O iraniano Reza Zarrab, um violador de sanções que pagou propina a ministros do gabinete, doou enormes quantias a fundações dirigidas pela família Erdogan e conseguiu desviar bilhões de dólares para o Irã através de bancos turcos, que auxiliaram e incentivaram no financiamento de terrorismo feito pela Guarda Revolucionária iraniana.

Da mesma forma, Yasin Al-Qadi, que já foi supostamente financiador da Al-Qaeda que esteve nas listas dos EUA e da ONU como apoiador do terrorismo, esteve intimamente envolvido com a família de Erdogan em esquemas multibilionários de dólar. Suas reuniões secretas com Erdogan, seu filho Bilal, e o chefe da inteligência turca Hakan Fidan enquanto estava proibido de viajar por uma resolução da ONU e também pelas leis turcas provavelmente resultou em operações clandestinas no financiamento da luta armada em países estrangeiros. Os e-mails vazados de Berat Albayrak, genro de Erdogan e agora ministro das energias, confirma o que já sabemos sobre como esse sistema de patronagem funciona. Graças a esses vazamentos, temos agora uma visão mais clara dos principais culpados no sistema corrupto e seu modus operandi e interesses.

Vamos iniciar com o Governador do Banco Central Turco Murat Cetinkaya, que chegou a essa posição na relativamente jovem idade de 40 depois de servir no Comitê de Política Monetária que tem sete membros. Ele foi feito vice-governador em 2012 depois que uma emenda especial à lei foi publicada através do Parlamento permitindo que sua graduação na universidade (ciência política e assuntos internacionais) fosse incluída nos critérios de elegibilidade para essa posição. Estava claro mesmo nessa época que ele foi preparado por Erdogan para essa posição.

Ele é um informante para a família Erdogan no coração do sistema financeiro na Turquia, passando toda a informação sobre o que está acontecendo no banco central para o genro de Erdogan, Berat, que nem sequer tinha uma posição oficial no governo nessa época. Um exame de dezenas de trocas de e-mail entre Cetinkaya e Albayrak revela que o vice-governador do banco estava atuando como um informante no banco ao compartilhar informações delicadas e confidenciais com a família de Erdogan. Em um e-mail datado de 27 de agosto de 2014, um dia antes de o banco central convocar o Comitê de Política Monetária para decidir sobre taxas de juros, Albayrak pediu a Cetinkaya que apresentasse uma posição clara e contou-lhe que estava aguardando notícias positivas do banco. Cetinkaya afirma sua posição, enfatizando que ele e seu time terão uma posição forte na reunião. Em um país democrático normal, esses dois homens teriam sido acusados, julgados e condenados por várias acusações de ofensas criminais. Já que não há mais um estado de direito, nem um judiciário independente, ninguém ousaria tocar nos capangas de Erdogan. Outro e-mail datado de 13 de outubro de 2013, mostra que Cetinkaya também divulgou notas confidenciais sobre o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial para Albayrak.

O segundo agente chave para a família Erdogan é Mehmet Mus, que é agora vice-presidente do grupo parlamentar do governante Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP). Ele serviu como vice-presidente do AKP responsável pelas políticas econômicas. Mus trabalhou próximo a Albayrak em assuntos econômicos e financeiros e ajudou Albayrak arruinar o único czar da economia do governo turco, Ali Babacan, ao trabalhar pelas costas do ministro. Por exemplo, em 10 de fevereiro de 2015, Mus alertou Albayrak que um projeto de lei sobre seguros logo seria apresentado ao Parlamento para facilitar a entrado da gigante empresa dos seguros Lloyd no mercado turco. Babacan estava esperando que com essas mudanças, Istambul teria uma melhor chance de se tornar um centro financeiro que a Lloyd poderia ter melhorado esse perspectiva. O projeto de lei, passou pela Comissão do Planejamento e Orçamento em 16 de março de 2015, apesar da oposição de seu presidente, Recai Berber, que foi pressionado por Albayrak, foi mais tarde arquivado quando já estava no Parlamento em 25 de março, quando os leais a Erdogan apresentaram um recurso no último instante para retirar as acusações. O representante do governo não se opôs e a emenda foi retirada.

O terceiro agente é Naci Agbal, atualmente ministro das finanças e outro membro crucial do time financeiro e econômico de Erdogan. Ele era o subsecretário do antigo Ministro das Finanças Mehmet Simsek, que, como todos nos círculos dos negócios sabem, não é nada mais que um garoto propaganda e não exerce força real alguma no governo além de correr de uma tarefa para outra para engajar em discursos. Erdogan frequentemente contornava Simsek e dirigia suas operações clandestinas usando Agbal como o culpado quando ele era apenas um burocrata. A auditoria e cobrança de penalidades financeiras para empresas pertencentes a oponentes e críticos de Erdogan enquanto que cancelava os impostos não pagos para os empresários pró-Erdogan leva a assinatura desse tal de Agbal. Ele também usou a Comissão de Inquérito de Crimes Financeiros do Ministério das Finanças (MASAK) – uma unidade de inteligência econômica que coordena com fiscalizadores intergovernamentais tais como a Força Tarefa de Ação financeira (FATF) e o Grupo Egmont na luta global contra lavagem de dinheiro e o financiamento de terrorismo – para apresentar acusações de terrorismo falsas contra órgãos de mídia críticos e independentes e outras empresas para que assim pudessem ser confiscadas e entregues aos leais como espólios de guerra para Erdogan.

Agbal frequentemente interagia com Albayrak em assuntos financeiros cruciais, compartilhando projetos de lei com ele com antecedência para que as mudanças necessárias poderiam ser feitas para fazer com que os membros e associados da família Erdogan se beneficiassem o máximo passível ou ficassem longe de possíveis repercussões negativas. O império da família Erdogan possui interesses de negócios multibilionários em tantos lugares, alguns sob o nome de cuidadores, na Turquia e fora dela para não atraírem muita atenção, enquanto que outros estão escondidos em vários instrumentos de capital. Como resultado disso eles estão preocupados com qualquer mudança que posso pôr em risco seus recursos.

Por exemplo, a partir de trocas de e-mail com Agbal, o genro de Erdogan era visto com estando intimamente envolvido na jogada tardia do governo turco para concluir um acordo com Washington para ajudar os esforços dos EUA para remediar a evasão de impostos para seus próprios cidadãos como parte da Lei do Cumprimento Fiscal de Contas no Exterior (FATCA) americana, que foi aprovada em março de 2010. A FATCA requer que bancos fora dos EUA deem a Washington detalhes de contas no exterior mantidas por cidadãos americanos ou residentes permanentes. Instituições não-cumpridoras poderiam ser afastadas dos mercados americanos, desferindo um golpe potencialmente letal a economias estrangeiras, incluindo a Turquia. Os EUA começaram a pressionar os líderes turcos para convencê-los a cumprir os requerimentos da FATCA, e as negociações foram conduzidas entre o Serviço de Renda Interna (IRS) americano e o Ministério da Finanças turco. As conversas perduraram apesar do fato que a FATCA entrou em vigor em 1º de julho de 2014. Apenas um mês após o prazo, a Turquia alcançou um acordo com os EUA em princípio, apesar de que o acordo intergovernamental oficial não foi assinado até julho de 2015. O acordo foi finalmente publicado no Diário Oficial em 16 de março de 2016, após um ultimato dos EUA para deixar o setor bancário turco abandonado à própria sorte.

Talvez o melhor exemplo de como Agbal e Albayrak trabalharam ao conspirarem contra os contribuintes foi o trabalho conjunto que fizeram ao reformular um projeto de lei para garantir anistia a evasores fiscais e dar aos lavadores de dinheiro um tratamento especial com benefícios. O projeto de lei, escrito na Administração de Receitas, foi compartilhando com Albayrak começando em 17 de junho deste ano. Em uma troca, Albayrak foi visto repreendendo o ministro por mudanças que foram feitas por autoridades financeiras mas não aprovadas por ele. O projeto de lei visava ostensivamente reconstruir dívidas, mas uma emenda que foi adicionada ao projeto de lei efetivamente deu anistia aos que lavam dinheiro e aos evasores fiscais. Por exemplo, o Artigo 7 do projeto de lei oferecia uma imunidade generalizada para os que trazem seus recursos para a Turquia sem fazer perguntas. Ouro, dinheiro, moeda estrangeira não declarados e todos os tipos de instrumentos de capital e igualmente navios e iates podem ser repatriados para a Turquia sob esse projeto de lei. O projeto diz que os que fizerem isso não enfrentarão qualquer perseguição, investigação ou fiscalização.

Esse projeto de lei enviado às pressas ao Parlamento em 22 de julho usando a confusão pós-golpe fracassado de 15 de julho como uma cortina de fumaça. Ele passou através da Comissão de Planejamento e Orçamento em velocidade relâmpago quatro dias depois. A Assembleia Geral adotou o projeto de lei incluindo o Artigo 7 em 3 de agosto, transformando ele em lei. Foi um velocidade incrível dado o acúmulo de projetos de lei pendentes no Parlamento em tanto nas comissões quanto no plenário. Essas mudanças significam violações graves dos comprometimentos da Turquia sob a FATF tanto quanto os princípios do G20 sobre a prevenção de lavagem de dinheiro; no entanto, a família Erdogan precisava desse projeto de lei para movimentas alguns de seus recursos de volta para a Turquia. Vale a pena relembrar que uma provisão similar, enterrada em um projeto de lei coletivo, teve que ser cancelada devido à indignação da oposição no Parlamento. Desta vez, com a exceção de um legislador, ninguém se opôs ao projeto de lei no Parlamento turco. Talvez seja por isso que Erdogan chamou a tentativa fracassada de golpe de uma “benção de Deus”.

Eu continuarei a escrever mais sobre outros agentes chave no círculo de confiança de Erdogan no gerenciamento de assuntos econômicos e financeiros incluindo as razões de porque Binali Yildirim ter sido escolhido como primeiro-ministro provisório, e como seu conselheiro econômico chefe, Yigit Bulut, continua a manter sua posição apesar de tantas gafes públicas.

Abdullah Bozkurt

Fonte: www.turkishminute.com

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